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Em encontro fora da agenda oficial, o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com seus ministros, mas sem a presença do vice-presidente Hamilton Mourão, assim como já tinha ocorrido na semana passada. A estratégia tem sido evitar as reuniões de Conselho de Governo, que contam com a participação do vice, e organizar outras, das quais ele pode ser excluído. A reunião aconteceu na manhã de terça-feira (9).

A lista de participantes divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República não tem o nome de Mourão. Segundo auxiliares da Presidência, Bolsonaro está descontente com Mourão e avalia que o vice usa as informações das reuniões de Conselho de Governo para dar declarações à imprensa nas quais rebate algumas ações e pontos de vista do presidente.

No fim da tarde, Mourão não compareceu à cerimônia de lançamento do programa Adote um Parque, que incentiva a participação de empresas na proteção ambiental. O vice-presidente costuma participar da maioria dos eventos realizados no Palácio do Planalto. Além disso, a primeira fase do programa será focada na Amazônia, área de interesse de Mourão, que acumula o cargo de presidente do Conselho Nacional da Amazônia. Ao deixar o Planalto, após a cerimônia, Mourão disse que foi convidado, mas minimizou a ausência.

A última reunião do Conselho de Governo ocorreu em 19 de novembro do ano passado. Depois disso, a agenda de Bolsonaro registrou uma “reunião com ministros” em 6 de janeiro de 2021. No dia, Mourão estava afastado das atividades no Planalto porque havia testado positivo para a Covid-19. Em 16 de dezembro, houve um encontro a sós entre os dois, o último na agenda de Bolsonaro.

Na segunda-feira (8), Mourão participou de um evento no Palácio do Planalto. Em seguida, Bolsonaro foi questionado em entrevista à TV Band como estava a relação com o vice. O presidente disse que havia trocado sorrisos com Mourão e o comparou a uma sogra. Frequentemente, na relações familiares, sogras são apontadas por noras e genros como um estorvo, o que se transformou até mesmo em piada. A comparação feita por Bolsonaro também virou motivo de riso entre os assessores.

Amazônia

O presidente Jair Bolsonaro assinou na terça (9) em cerimônia no Palácio do Planalto, decreto que institui o programa Adote um Parque, criado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) para permitir que pessoas físicas e jurídicas, nacionais e estrangeiras, doem bens e serviços que serão destinados a atividades de preservação de unidades de conservação.

A primeira fase do programa é voltada exclusivamente às 132 unidades de conservação federais na Amazônia. Os parques ocupam 15% do bioma, totalizando 63,6 milhões de hectares. Os recursos serão aplicados diretamente pelos parceiros nas unidades adotadas, segundo informou o governo. Futuramente, a ideia é expandir o programa para parques nacionais localizados em outros biomas do país.

De acordo com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pessoas físicas e empresas nacionais que participarem do programa deverão doar um valor inicial de R$ 50 por hectare. “O volume total previsto, se todos os parques fossem adotados por esse valor, que é o mesmo para pessoa física e jurídica, é [em] potencial de R$ 3 bilhões”, afirmou. No caso de empresas ou personalidades estrangeiras, o valor será de 10 euros por hectare. (O Sul)