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Luís Eduardo Gomes | Sul21

Em reunião com diretores de escolas municipais de Porto Alegre na manhã desta terça-feira (9), o prefeito Sebastião Melo e a secretária de Educação, Janaína Audino, apresentaram detalhes do plano de retomada das aulas presenciais na rede, que estão suspensas desde março de 2020 em razão da pandemia de covid-19.

A ideia da Prefeitura é que as aulas recomecem no dia 22 e que as turmas sejam separadas em grupos, com cada um comparecendo fisicamente à escola em dias alternados, mas recebendo conteúdo idêntico.

A expectativa é que, com isso, seja possível manter as condições de distanciamento social previstas nos decretos estadual e municipal de 4m² por aluno. Pelo exemplo dado na apresentação, uma sala de aula com 9,12 m de comprimento e 6,75 de largura, com uma área de 51,56 m², poderá ter 12 alunos, quando a capacidade original era de 32.

Segundo a Prefeitura, para embasar a proposta de revezamento, foi realizado um estudo levando em consideração três eixos: protocolo sanitário covid 19, organização dos espaços físicos das escolas e cenários de atendimento. A partir dele, foi criada uma fórmula, aplicável a todas as escolas municipais, que indica qual o percentual de atendimento é possível em cada uma delas. Em no máximo cinco dias, deve estar garantido o acesso de 100% dos alunos.

A Prefeitura também irá permitir que alunos sigam no ensino à distância, mas pais, familiares ou responsáveis terão que assinar uma declaração justificando a opção de não liberar os filhos para as aulas presenciais e vão receber um kit com o mesmo conteúdo que será dado em sala de aula, para que o estudo possa ser feito em casa.

A expectativa é que a média de ocupação das escolas seja de 42%, com o percentual podendo chegar a 65% em algumas unidades.

“A principal preocupação que temos é com o respeito, o cuidado e o acompanhamento, que darão o apoio necessário às escolas e às famílias neste momento tão significativo para todos nós, que é a reabertura dos estabelecimentos”, afirma Janaina Audino.

“Este calendário foi construído de forma muito coletiva, e temos ainda dez dias para aperfeiçoá-lo. O certo é que as escolas serão reabertas com segurança, porque lugar de criança é na escola e na família. A nossa reabertura vai ocorrer de forma segura e responsável, dando maior tranquilidade às famílias”, disse Melo.

A Prefeitura informou ainda que vai “redobrar” a higienização das salas de aula e disponibilizar álcool em gel em todos os ambientes. O uso de máscara será obrigatório para crianças acima de 3 anos de idade, conforme estabelece decreto estadual.

Em caso de algum aluno apresentar sintomas de covid-19, ele deverá ser afastando. Caso haja um resultado positivo, toda turma será submetida a teste e, no caso de dois alunos testarem positivo, as aulas serão suspensas por dez dias.

Os professores municipais cobram a vacinação da categoria para a retomada das aulas. A respeito disso, a Prefeitura diz que os professores estão entre os grupos prioritários para a imunização, mas que ainda não há data para receberem as doses. A alternativa proposta pelo Executivo foi a oferta de testagem gratuita a todos os profissionais.

Diretora do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre, Márcia Loguércio acompanhou a reunião e avalia que foi importante a Prefeitura basear o plano de retorno a partir de um levantamento de dados sobre as condições atuais da rede municipal. Contudo, argumenta que o sindicato ainda tem dúvidas se a Prefeitura conseguirá garantir a segurança sanitária para o retorno.

“A gente viu que o plano atende o decreto teoricamente, mas como isso funciona na prática é diferente. Nós ainda não temos os funcionários nas escolas. A secretária nos apontou que até o dia 19 eles teriam o dia 20, que é um sábado, para todas as escolas serem limpas e abrirem na segunda-feira. Então, essa é uma questão que precisamos ver se será viável, não sabemos”, diz Márcia. “A gente sabe que o distanciamento social é fundamental para a segurança sanitária e pensar uma escola com distanciamento com crianças e jovens não é uma coisa fácil”, complementa.

A respeito da vacinação, Márcia diz que o sindicato continua defendendo a pauta como prioritária, mas compreende que talvez não seja possível imunizar os professores antes do início das aulas. Pontuou ainda que o sindicato cobrou da Prefeitura a possibilidade de adquirir mais doses do que aquelas que estão sendo enviadas pelo governo federal para garantir mais segurança para o retorno das aulas. “A gente sabe que vai ser uma luta para ter vacina para todos. A gente cobrou isso em reunião ontem”, disse.