Foto: Alex Rocha/PMPA

Boletim da Fiocruz aponta interrupção da tendência de queda de casos e mortes por covid-19 em Porto Alegre

Pesquisador da Fiocruz diz que a retomada das atividades de maneira precoce pode levar a um quadro de interrupção da queda da contaminação em valores distantes de um cenário seguro

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O novo Boletim InfoGripe da Fiocruz indica que várias regiões do país permanecem na zona de risco, com ocorrências de casos e óbitos muito altas de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Feita com base nos registros do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), a análise dos dados, referente à Semana Epidemiológica 14 (4 a 10 de abril), mostrou que cerca de 90% dos casos positivos de SRAG foram associados à covid-19.

A análise do Boletim mostra que os estados do Rio Grande do Sul, Amazonas, Rio Grande do Norte, Roraima e Santa Catarina apresentam indícios de que podem estar interrompendo a tendência de queda com valores significativamente elevados de casos e óbitos por SRAG. “Em Santa Catarina, a estimativa aponta para a possibilidade de uma estabilização em valores similares aos dois picos registrados em 2020. No Rio Grande do Sul, o intervalo de credibilidade da estimativa atual é superior aos dois picos registrados em 2020”, explica Marcelo Gomes, pesquisador responsável pelo InfoGripe.

Nenhuma das 27 capitais brasileiras apresenta sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a semana entre 4 a 10 de abril. Porém, assim como alertado para alguns estados, a análise observou que certas capitais podem apresentar interrupção da tendência de queda de número de casos e óbitos. Porto Alegre, Boa Vista, Florianópolis, Fortaleza, Macapá, Manaus, Natal e Teresina estão nessa situação. Nos casos de Porto Alegre e Natal, a tendência de curto prazo apresenta também sinal moderado de crescimento, não apenas de estabilidade.

Em Florianópolis, a estimativa atual sugere possível estabilização em valores que podem estar ligeiramente inferiores ao segundo pico de 2020, porém similar ao que se observou no primeiro pico de 2020. Situação similar se observa em Porto Alegre, apenas invertendo a relação com o pico de 2020, quando o mais alto foi o primeiro e não o segundo.

Entre os estados, o pesquisador explica que, com exceção do Maranhão e Espírito Santo, onde a interrupção da tendência de queda é acompanhada da formação de um platô com números muito elevados de casos e óbitos por SRAG, todos os demais estados conseguiram reverter o forte crescimento do número de casos e óbitos de SRAG observados nos primeiros meses de 2021, mantendo por algumas semanas a diminuição de novos registros. “Esta queda pode ser atribuída às medidas de distanciamento implementadas em todo o país”, afirmou Gomes.

O pesquisador destaca a importância de avaliar os dados junto com a taxa de ocupação hospitalar. Essa análise pode ajudar a entender se existe de fato uma redução na ocorrência de casos de SRAG/covid-19 ou se a queda é aparente, sendo um reflexo do limite de novas internações pela falta de leitos.

Gomes alerta que a superlotação da rede hospitalar, com formação de lista de espera para disponibilização de leitos, pode gerar subnotificação. Diante disso, é possível que os dados de SRAG notificados no Sivep-Gripe subestimem o total de casos em locais com índice de ocupação de leitos elevado. “Esses locais devem deixar os indicadores de SRAG em segundo plano em relação à tomada de decisão até que a ocupação volte a diminuir”, ponderou.

Responsável pelo InfoGripe, o pesquisador enfatiza ser fundamental que as medidas de restrições continuem sendo adotadas para o enfrentamento da pandemia. “Os valores atingidos na fase de crescimento este ano foram extremamente elevados, sendo o pico do número de casos de 2021 superior, em diversos estados, aos picos observados em 2020. A retomada das atividades de maneira precoce pode justamente levar a um quadro de interrupção da queda ainda em valores muito distantes de um cenário de segurança”, explica.

Gomes explica que, se tal situação ocorrer, não apenas manterá o número de hospitalizações e óbitos em patamares elevados, como também vai conservar a taxa de ocupação hospitalar em níveis preocupantes. “Isso impacta todos os atendimentos, não apenas aqueles relacionadas às síndromes respiratórias e à covid-19”, destacou.

Sul21