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Um estudo publicado na revista Science apontou o governo federal como o principal culpado pelos erros na condução da pandemia no Brasil. A pesquisa foi feita por pesquisadores brasileiros e estrangeiros e mostrou que a falta de uniformidade na qualidade da resposta das autoridades locais ao vírus é indicativo de “omissão” e “erro” do governo federal.

Segundo o estudo, o SUS e o Ministério da Saúde deveriam atenuar as desigualdades regionais nas políticas de saúde, o que não ocorreu. Isso resultou em uma falha em implementar respostas ágeis, coordenadas e equânimes que lidassem com as desigualdades locais. Medida nacionais de distanciamento e contenção do vírus, por outro lado, teriam prevenido que houvesse sempre regiões que servissem como locais de proliferação.

Outro problema, de acordo com a pesquisa, foi o contexto de politização das medidas sanitárias. O alinhamento político de autoridades locais com o presidente Jair Bolsonaro instigava que a região adotasse menos ações restritivas nas cidades.

Um dos principais problemas, segundo os cientistas, foi a falta de testagem e de acompanhamento dos avanços da pandemia no país. Eles citam que diversas cidades registraram alta de mortes antes da alta de casos, o que não faria sentido. Além disso, estima-se que o vírus tenha circulado no Brasil até um mês antes do governo reportar os primeiros casos.

Entretanto, publicada na semana em que a CPI da Covid foi instalada, a pesquisa não deve ser usada com fins jurídicos, segundo uma das autoras da pesquisa, a professora brasileira de Harvard Márcia Castro.

Em entrevista ao jornal O Globo, a pesquisadora ressaltou que diversos outros estudos já apontaram que a política está relacionada aos problemas no tratamento da pandemia no Brasil. “Esses trabalhos se unem num quebra-cabeça bem complicado, em que todos convergem para a mesma coisa”, afirmou Márcia sobre os estudos. (Metrópoles)