Foto: Reprodução | Facebook

Há um ano, empresários minimizavam pandemia: “5 ou 7 mil vão morrer”

Luciano Hang, durante protesto na frente da Prefeitura de Pelotas contra medidas de distanciamento social

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Igor Carvalho | Brasil de Fato

Quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a pandemia de coronavírus, em 11 de março de 2020, infectologistas e epidemiologistas do mundo pediam que os países determinassem isolamento social, uso de máscara e álcool em gel.

Receosos com suas atividades econômicas, diversos empresários correram e se colocaram, imediatamente, ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), reproduzindo o discurso que minimizava os efeitos do coronavírus e pedindo que medidas sanitárias fossem freadas.

Entre eles está Junior Durski, dono de uma rede de lanchonetes. Em 23 de março de 2020, o empresário arriscou um prognóstico sobre o número de mortes em decorrência da pandemia no país.

“Eu sei que nós temos que chorar, e vamos chorar. Mas nós não podemos parar por 5 ou 7 mil pessoas que vão morrer”, vaticinou o empresário. “Não pode simplesmente o infectologista decidir se tem que todo mundo parar independente das consequências”, encerrou.

O Brasil ultrapassou, no dia 1º de abril e pela primeira vez desde o início da pandemia, a média de mais de 3 mil mortes diárias em decorrência dacovid-19. O cálculo é baseado nos últimos sete dias. Morreram, no período, 3.117 pessoas em média a cada dia.

Atualmente, morrem mais brasileiros por dia do que a soma dos 10 países seguintes mais afetados pela doença. Mais de um terço das mortes no planeta ocorrem no Brasil.

Na última quinta-feira (1º), foram registrados 3.769 óbitos. Em relação ao número de novos casos, foram 91.097 infectados. Desde o início do surto, ao menos 12.839.844 pessoas foram contaminadas pelo vírus no país.

No mesmo dia do prognóstico de Durski, o empresário Roberto Justus saiu em defesa do colega empresário e discordou das medidas que restringiam o funcionamento do comércio.

“Nós estamos vindo de anos de recessão, de problemas, de queda do nosso PIB, e agora nós vamos conseguir destruir. O que acontece com isso? Um problema social sem precedentes. Sim, as pessoas vão morrer. Você sabe que muita gente se mata por problemas econômicos. A tristeza de não poder alimentar os seus filhos, perder o seu emprego. Um sorveteiro deu um grande exemplo, ele falou: ‘não vou morrer do vírus, vou morrer de fome’”, explicou. “Eu quero dizer que nós estamos dando um tiro de canhão para matar um pássaro. Nós estamos exagerando na dose”, encerrou.

Menos conhecido, Alexandre Guerra, fundador de uma rede de restaurantes, tentou intimidar seus empregados com um vídeo publicado em suas redes sociais no dia 24 de março de 2020.

“Você que é funcionário, que talvez esteja em casa numa boa, numa tranquilidade, curtindo um pouco esse home office, esse descanso forçado, você já se deu conta de que, ao invés de estar com medo de pegar esse vírus, você deveria também estar com medo de perder o emprego? Será que sua empresa tem condições de segurar o seu salário por 60, 90 dias? Você já pensou nisso?”, questionou.

Em entrevista ao portal UOL, em 23 de março de 2020, Luciano Hang, dono de uma rede de lojas de departamento, afirmou que “o dano na economia vai ser muito maior do que da pandemia” e defendeu a redução de salário para os seus funcionários. “O Brasil já está parado. Preservar o emprego nesse momento é a mais importante medida que devemos ter”.

Em uma transmissão ao vivo em uma rede social, no dia 23 de março de 2020, o empresário Abílio Diniz afirmou que a pandemia “não é tão grave assim”.

“O coronavírus se espalha rapidamente e temos de ficar reclusos, mas não por muito tempo. Precisamos de um horizonte de semanas, não de meses. Precisamos saber que isso vai passar.”

Até o fechamento desta matéria, nenhum dos empresários havia respondido aos questionamentos do Brasil de Fato.