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A complexidade da pandemia de coronavírus exigiu flexibilidade por parte da ciência. Médicos e pesquisadores têm se desdobrado ao longo de mais de um ano para desvendar a Covid-19. O percurso, no entanto, não é linear — e a própria ciência se viu em situações ambíguas. Se, no início, a doença não era um grande risco para os jovens, hoje a conjuntura é completamente diferente. Especialistas têm alertado para o índice de mortalidade entre pessoas mais novas.

Um levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira apontou que, no mês passado, 52% das internações em UTIs foram de pessoas com até 40 anos. De acordo com o Ministério da Saúde, o número de mortes por coronavírus entre jovens de 20 a 29 anos aumentou 288% entre os meses de fevereiro e março deste ano. Em fevereiro, o número de óbitos nessa faixa etária era de 52 mortes. No mês seguinte, o número subiu para 202. O infectologista Ivan Marinho ressaltou a mudança de perfil entre pacientes da Covid-19.

“Pessoas que mais morriam eram determinados grupos de risco, como idosos, diabéticos, obesos, hipertensos ou portadores de alguma imunossupressão. Hoje temos pacientes jovens, sem nenhuma comorbidade, em forma extremamente grave.” Em meio aos altos índices de óbitos diários, o especialista se diz preocupado com a reabertura no Estado de São Paulo. “O número é muito alto de pacientes graves. Uma abertura agora pode resultar em novos casos muito rápido, daqui uma semana. O sistema não está preparado para essa demanda. Eu considero bastante precoce uma abertura neste momento.” Ele afirmou que pode-se perceber uma certa estabilidade no número de novos casos nos últimos dias, mas que o de pessoas internadas em estado grave ainda é alto. (Jovem Pan)