Movimento se solidariza com famílias atingidas por falta de energia em bairros da Capital – Porto Alegre 24 horas

Movimento se solidariza com famílias atingidas por falta de energia em bairros da Capital

Movimento dos Atingidos por Barragens lança nota em que critica as autoridades por deixarem mais de 300 famílias sem luz
Foto: MAB

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Brasil de Fato

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) lançou uma nota em solidariedade às cerca de 300 famílias que estão sendo atingidas pela falta de energia elétrica, no bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. O MAB está acompanhando essas famílias, cuja falta de energia tem sido constante.

“A falta de solução pelo poder público para o caso da falta de luz das famílias é algo absurdo e desumano, é uma grave violação de direitos humanos fundamentais, ainda mais nesta pandemia. São centenas de crianças que não podem acessar as suas aulas online, centenas de pessoas sem comunicação, centenas de famílias perdendo alimentos, eletrodomésticos, remédios e submetidas a situação de risco de incêndio e tendo sua dignidade violada pelo descaso do estado”, diz trecho da nota.

O MAB lembra ainda que esses episódios de “apagões” em Porto Alegre podem se tornar frequentes, devido à recente venda da CEEE para uma empresa privada. O movimento recorda que o descaso com a população, os péssimos serviços e os “tarifaços” são comuns nos locais onde as empresas privadas gerenciam o serviço de energia.

Segue a nota, reproduzida na íntegra:

Nota de Solidariedade às famílias atingidas pela falta de energia em Porto Alegre

Nós, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) acompanhamos com indignação o caso das mais de 300 famílias atingidas por falta de energia elétrica na Rua da Comunidade, no bairro Lomba do Pinheiro em Porto Alegre. Estas famílias enfrentaram na última semana 4 dias seguidos de falta de energia e, após isso, continuam registrando quedas de luz. Esse é um problema recorrente há anos, ocasionado pela falta de estrutura e de transformadores suficiente para atender a demanda da comunidade.

Expressamos toda nossa solidariedade a cada família atingida pela falta de energia e exigimos do poder público e da CEEE todas as providências possíveis para que nenhuma família passe mais por esta situação. Nos colocamos junto às famílias na luta pela garantia dos seus direitos e repudiamos também toda forma de criminalização e intimidação das famílias por estarem nesta luta que é extremamente justa e legítima.

Nós do MAB completamos em 2021 trinta anos de lutas pelos direitos das populações que são removidos das suas casas para dar lugar a grandes obras para geração de energia elétrica ou para captação de água. São 30 anos que questionamos: “energia pra que e pra quem?”.

Sempre defendemos que a energia seja um bem público, um direito, sempre denunciamos que o Brasil tem o custo de produção de energia mais barato do mundo, mas infelizmente nos cobram a quinta tarifa mais cara entre todos os países, e, diante disso, defendemos que o Brasil precisa de um projeto energético popular, para que a energia possa servir às necessidades do povo, e não a interesses de grupos privados que só pensam em lucros.

Energia é um serviço essencial para a vida das pessoas e a própria Constituição Federal assegura o direito à energia para todos, mesmo aos moradores de áreas irregulares ou ocupações. É um direito garantido pelo princípio da dignidade humana, na forma do artigo 1º, inciso III, da Constituição Federal.

A Agencia Nacional de Energia Elétrica, a ANEEL, também possui uma normativa, a Resolução 414 de 2010, que orienta as Condições Gerais de Fornecimento de Energia Elétrica e prevê a instalação, em caráter provisório ou até mesmo definitivo, de energia elétrica em assentamentos ditos irregulares ocupados por população de baixa renda. E o direito ao acesso à energia para todos também é um principio dos contratos das companhias de distribuição de energia.

A falta de solução pelo poder público para o caso da falta de luz das famílias é algo absurdo e desumano, é uma grave violação de direitos humanos fundamentais, ainda mais nesta pandemia. São centenas de crianças que não podem acessar as suas aulas online, centenas de pessoas sem comunicação, centenas de famílias perdendo alimentos, eletrodomésticos, remédios e submetidas a situação de risco de incêndio e tendo sua dignidade violada pelo descaso do estado.

Infelizmente, este apagão em Porto Alegre pode virar algo frequente, principalmente depois da recente privatização da CEEE, na qual o descaso com a população, os péssimos serviços e os tarifaços são algo comuns principalmente das empresas privadas de energia, como acontece no Amapá e em vários estados que também tiveram suas companhias privatizadas.

Às famílias atingidas pela falta de energia em Porto Alegre, toda nossa solidariedade. O MAB se soma na luta por cobranças à CEEE e ao poder público para soluções imediatas.

Água e energia são direitos fundamentais, não são mercadorias.

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