Foto: Alex Rocha | PMPA

Prefeitura de Porto Alegre contesta reportagem e envia carta ao jornal New York Times

Segundo a prefeitura, a matéria traz uma interpretação equivocada da realidade da Capital gaúcha frente à pandemia.

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A Prefeitura de Porto Alegre enviou uma carta, assinada pelo prefeito Sebastião Melo, para esclarecer as informações equivocadas publicadas na reportagem do último sábado, 27, no New York Times. Com o título “Um colapso previsto: como o surto de Covid-19 no Brasil sobrecarregou os hospitais!”, a matéria traz uma interpretação equivocada da realidade da Capital gaúcha frente à pandemia.

Porto Alegre lidera o ranking das capitais brasileiras em índice de vacinação por 100 habitantes, com 14,45%. No último dia 29, atingiu a marca dos 200 mil vacinados e nesta terça-feira, 30, mais de 215 mil. A rede hospitalar conta hoje com 1.002 leitos de UTI (públicos e privados), mais 665 novos leitos de enfermaria e 340 leitos convertidos para o enfrentamento da Covid-19.

A gestão municipal preza pelo equilíbrio entre saúde e economia e não tem medido esforços para ampliar a rede pública de saúde e vacinar a população da Capital gaúcha.

Confira na íntegra à carta.

Porto Alegre, 30 de março de 2021.

Senhor Editor,

Em relação à matéria publicada no sábado, dia 27/03, pelo New York Times, intitulada “Um colapso previsto: como o surto de Covid-19 no Brasil sobrecarregou os hospitais!”, julgamos necessário que sejam feitos importantes esclarecimentos e apresentados alguns dados, igualmente importantes, no que diz respeito a Porto Alegre e que a reportagem tendenciosamente omitiu. A começar pela absurda interpretação dada a uma frase pronunciada em uma live sobre ações de enfrentamento à Covid, já devidamente esclarecida, uma vez que foi retirada de contexto.

Reafirmo, como foi declarado aos autores da reportagem, que não somos negacionistas. Ao contrário, acreditamos
intransigentemente na Ciência e sempre fomos comprometidos com a defesa da saúde e dos protocolos exigidos pelas
autoridades sanitárias, inclusive com campanhas na mídia, de incentivo ao uso de máscaras e ao distanciamento social. Ao mesmo tempo, combatemos com energia as aglomerações em festas clandestinas. Entretanto, temos manifestado nossa posição de equilíbrio, oferecendo alternativas para manter o comércio funcionando, de forma a garantir o sustento das famílias e enfrentar o crescente desemprego provocado pelas restrições às atividades econômicas.

Por outro lado, refutamos que Porto Alegre seja considerada o centro do colapso do sistema de saúde do país devido à pandemia, como aponta equivocadamente a reportagem. Como todas as capitais e grandes cidades brasileiras, Porto
Alegre enfrentou e ainda enfrenta sérios problemas diante dessa doença que aflige o mundo inteiro. O que diferencia a capital do RS de outros centros é a forte mobilização das instituições públicas, privadas e da sociedade em geral na busca de soluções para fazer frente aos efeitos nefastos da pandemia.

Aqui está implantado o melhor Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil, em gestão plena desde 1997, com mais de 140
unidades básicas nos bairros e dois hospitais federais, além da rede privada de reconhecida qualidade na prestação de serviços de saúde em todas as especialidades. Assim, Porto Alegre lidera o ranking das capitais brasileiras em índice de vacinação por 100 habitantes, com 14,45%. No último dia 29, atingimos a marca dos 200 mil vacinados (hoje, mais de 215 mil). Os índices ostentados pela cidade em doses por 100 habitantes equivalem aos de países como Alemanha, França e Portugal e são superiores aos de Canadá, China e Rússia, entre outros.

Tais índices foram obtidos graças à ampliação dos postos de atendimento nos bairros, à implantação de drive-thrus, além da vacinação disponibilizada nos fins de semana e em horários estendidos em diversos postos. Nessa força-tarefa pela saúde foi importante o apoio do Exército Brasileiro com a cessão de militares para o trabalho de atendimento junto às equipes da nossa Secretaria Municipal da Saúde. Outra parceria, com o Comando Militar do Sul, trouxe para Porto Alegre um hospital de campanha, com 20 leitos, para reforçar os leitos clínicos e de UTI do Hospital da Restinga, ampliando a capacidade de atendimento da unidade, diferentemente da versão desqualificada apresentada pela reportagem.

No esforço para a ampliação de leitos, a Prefeitura agregou à rede de atendimento, ainda, o Hospital Porto Alegre e a Beneficência Portuguesa, que vieram somar seus recursos à rede hospitalar da capital gaúcha. Com isso, houve um
acréscimo de 249 leitos de UTI, entre novos e reabertos, totalizando 1.002 leitos de UTI (públicos e privados), mais 665 novos leitos de enfermaria e 340 leitos convertidos. Vale registrar que, graças às ações e aos esforços de todos no âmbito do município de Porto Alegre, já registramos, nesta semana, gradativa queda nas internações em leitos pela Covid-19 e na fila de espera por vagas em UTIs. Nada disso a reportagem dignou-se a registrar.

Por todo o exposto, registramos nossa contrariedade e indignação, em nome de Porto Alegre, em relação ao tendencioso conteúdo da reportagem. A facciosidade do texto ofende os esforços empreendidos por todos os envolvidos direta e indiretamente no combate à pandemia, desconstruindo os valores de uma cidade que completou 249 anos e que se notabilizou pela participação popular, sendo o berço do Fórum Social Mundial, entre outras iniciativas nesse sentido.

Assim, solicitamos que o New York Times honre sua mais do que secular tradição de credibilidade e abra espaço para a publicação dos esclarecimentos e informações aqui enviados.

Atenciosamente,

Sebastião Melo

Prefeito de Porto Alegre, Brasil