Foto: Thales Ferreira | Brasil de Fato

Esteio e São Leopoldo iniciam vacinação contra a Covid-19 em trabalhadores da educação

Prefeitura de São Leopoldo começou a vacinar os trabalhadores da educação com a dose da “xepa”.

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Luciano Velleda | Sul21

Dois municípios da região metropolitana de Porto Alegre começaram a vacinar essa semana os trabalhadores da educação. A imunização de professores e técnicos de escola tem sido uma das principais demandas da categoria para o retorno às aulas presenciais no Rio Grande do Sul.

Primeiro foi São Leopoldo, que na terça-feira (4) iniciou a vacinação dos profissionais da educação que atuam nas escolas de educação infantil do município. Para não prejudicar a imunização dos grupos prioritários determinados no Plano Nacional de Imunização (PNI), a cidade do Vale dos Sinos decidiu vacinar os trabalhadores da educação com as doses remanescentes daquelas aplicadas diariamente em idosos e pessoas com comorbidades. Chamada de “xepa”, são doses restantes ao final do dia nos frascos de cada imunizante.

Segundo a prefeitura de São Leopoldo, os critérios adotados levam em conta as regiões com maior incidência de contaminação por coronavírus, conforme os dados da Secretaria de Saúde do município. Inicialmente, estão sendo atendidas somente as escolas de educação infantil, de modo alternado entre as instituições conveniadas pelo município e as escolas do grupo prioritário localizadas em regiões de maior vulnerabilidade.

“Diante da gravidade da pandemia, nossa decisão aqui foi sempre cuidar da vida da população. Vamos vacinar professores das escolas infantis públicas, conveniadas e privadas. Isso protege os funcionários da área da educação”, explicou o prefeito Ary Vanazzi (PT).

Para organizar a fila da “xepa”, cada escola é responsável pelo preenchimento do formulário com a indicação dos profissionais. A prefeitura exige que os dados sejam idênticos aos apontados no plano de contingência, comprovados por cópia impressa do contrato de trabalho. Depois, as escolas são orientadas a enviarem seus profissionais para a Vigilância em Saúde e então receber as doses no final do dia. No primeiro dia da vacinação dos educadores, foram disponibilizadas 12 doses remanescestes.

Apesar de reconhecer que a ação será lenta, a prefeitura de São Leopoldo confia na estratégia alternativa para imunizar os profissionais da educação.

Esteio

O plano adotado pela prefeitura de Esteio é diferente. Ao invés de usar apenas as doses da “xepa”, o governo local decidiu utilizar a parcela geral das vacinas que recebe por meio da Secretaria Estadual da Saúde (SES).

Assim, nesta quinta-feira (6), começaram a ser imunizados os professores e demais servidores que trabalham em escolas da rede pública municipal, com idade entre 40 e 59 anos. A Secretaria Municipal de Educação (SME) definiu um cronograma com horários dividido por escola e a aplicação das doses ocorre na própria sede da SME. De acordo com a Prefeitura de Esteio, a meta era vacinar, logo no primeiro dia, todos os trabalhadores das 30 instituições da rede de ensino municipal. A partir de segunda-feira (10), o objetivo é ampliar a vacinação para os profissionais das redes estadual e privada.

O governo do prefeito Leonardo Pascoal (PP) garante que não irá atrasar a vacinação dos grupos prioritários ao começar a imunizar os trabalhadores da educação. A prefeitura de Esteio explica que a decisão foi possível devida ao montante de vacinas Oxford/AstraZeneca recebidas pelo município para a aplicação da primeira dose, e também graças ao “avançado estágio da campanha de vacinação” na cidade. Segundo a Prefeitura, 22,8% da população de Esteio já recebeu ao menos a primeira dose da vacina contra a covid-19.

A gestão municipal também se ampara na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), da última segunda-feira (3), a qual, segundo a Prefeitura, reiterou a competência de estados e municípios para adotar as medidas necessárias no enfrentamento da pandemia. A Resolução Conjunta 01/2021 se baseia ainda no recente Decreto Estadual nº 55.856, de 27 de abril, que colocou todo o Rio Grande do Sul em bandeira vermelha e, com isso, permitiu a retomada das aulas presenciais no Estado.

Sindicatos elogiam vacinação

O Sindicato dos Municipários de Esteio (SISME) manifestou “felicidade” com a notícia da imunização dos profissionais da educação na cidade. Integrantes do sindicato, inclusive, estiverem junto com os trabalhadores na vacinação nesta quinta-feira (6). A entidade destaca que, desde 2020, tem buscado diálogo com a prefeitura.

“Enviamos documentos solicitando inúmeras pautas, dentre elas a vacinação como condicionante para o retorno às aulas. Em fevereiro, com o retorno sem a vacina, as escolas de Esteio foram foco de surtos, com a contaminação e morte de vários colegas. Há colegas que até hoje não receberam o resultado dos testes”, afirma Graziela Oliveira, presidenta do SISME.

A decisão das prefeituras de São Leopoldo e Esteio de iniciarem a vacinação dos trabalhadores da educação também é elogiada pelas entidades representantes dos professores no RS.

“São ações positivas, na medida em que demonstram que é possível, com vontade política e organização, pensar em alternativas para imunizar a categoria. Algo que o Estado se recusa a fazer”, disse, em nota, o Cpers. Todavia, o sindicato lamenta que tais medidas, adotadas isoladamente, terão pouco efeito.

Cássio Bessa, diretor do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinpro/RS), também elogia a decisão das duas prefeituras e afirma que ambas estão fazendo “o que o governador não teve disposição política de fazer”. Ele lembra que os professores começaram a ser vacinados em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, e critica o fato do governador Eduardo Leite (PSDB) ter ido ao STF para discutir a permissão de imunizar os trabalhadores da educação.

“O governador tirou das mãos dele e jogou pro STF. Ele não quis bancar. Achamos um contrassenso ele fazer a manobra pra retirar a bandeira preta para voltar as aulas presenciais, acabou de forma artificial com o modelo das bandeiras, e não teve compromisso com a vacinação dos professores. Louvo esses prefeitos e lamento a atitude do governador. É um descaso e uma contradição”, afirma Bessa.

O diretor do Sinpro/RS diz que o sindicato entregou carta solicitando a antecipação da vacinação dos educadores para o governo estadual, Assembleia Legislativa e prefeituras do interior. O documento ainda não teve resposta.

Sem vacina, com equipamentos de proteção nem sempre de boa qualidade e sem uma estratégia de testagem para o retorno às escolas, Bessa elogia a “bravura” dos professores que, ao longo da pandemia, têm se dedicado para garantir o aprendizado dos alunos por meio do ensino remoto, tendo que se adaptar à nova realidade e trabalhando turnos mais longos do que no sistema presencial.