Foto: EBC

Número de feminicídios no Estado cresceu mais de 50% na série histórica do mês de abril

Para as autoridades, resultado mostra que a sociedade gaúcha precisa avançar muito na cultura da igualdade de gêneros.

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Na contramão de outros indicadores de segurança pública, os feminicídios cometidos em abril no Rio Grande do Sul ficaram 55,6% acima do número registrado no mesmo mês do ano passado. Um levantamento apresentado pelo governo do Estado nesta sexta-feira (14) menciona 14 vítimas de assassinatos por motivação de gênero, contra nove em igual período de 2020.

“Após uma redução histórica em março, o resultado do mês passado mostra que a sociedade gaúcha ainda precisa avançar muito na cultura de igualdade, respeito e proteção das mulheres”, ressalta o texto publicado no site oficial do Palácio Piratini – estado.rs.gov.br.

A análise de cada caso pelo Observatório Estadual da Segurança Pública para o acompanhamento da GESeg, revela a persistência de um problema já detectado em estudo realizado pela Polícia Civil.

Das 14 vítimas, apenas duas estavam amparadas por medida protetiva de urgência (MPU), ou seja, em 85% dos casos não havia qualquer determinação judicial para afastamento do agressor.

O dado é semelhante ao identificado no Mapa dos Feminicídios 2020, por meio do qual a corporação verificou que quase 94% das 79 vítimas no ano passado não contavam com esse tipo de medida em vigor quando perderam a vida pelas mãos – ou armas – de seus algozes.

O estudo evidenciou ainda que 82% das mulheres mortas de janeiro a dezembro no Estado nunca haviam registrado qualquer tipo de ocorrência contra o agressor. Dentre as vítimas do mês passado, esse índice foi de 50%, o que é extremamente preocupante.

“Os dados ressaltam a importância de comunicar qualquer suspeita de violência contra a mulher às autoridades, de forma a possibilitar a adoção de medidas preventivas”, acrescenta o governo do Rio Grande do Sul.

De acordo com a diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher (Dipam), delegada Jeiselaure de Souza, ligada ao Departamento de Proteção à Grupos Vulneráveis (DPGV) da Polícia Civil, são raros os casos em que o feminicídio é resultado da primeira agressão.

Ciclo de violência

Em geral, as mortes por motivação de gênero são o ponto final de um longo ciclo de violência que, quanto antes for rompido, tem mais chances de preservar as vítimas. A delagada ressalta que o enfrentamento da violência doméstica não é apenas uma questão de Segurança Pública:

“É preciso engajamento de toda a sociedade para entender e perceber que esse tema tem raízes culturais e históricas muito complexas. Necessitamos de uma conscientização para reduzirmos a subnotificação de casos, que é em torno de 90%. Muitas vezes, eles só chegam ao conhecimento da Polícia Civil quando a mulher se torna uma vítima de feminicídio”.

(Marcello Campos | O Sul)