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Projeto cultural promove formação gratuita em costura para mulheres de Alvorada

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Possibilitar a geração de renda, desenvolver habilidades manuais por meio da prática artesã, promover a cultura imaterial do município de Alvorada (RS) e difundir a ancestralidade do povo negro. Esses são os principais objetivos do projeto Panô de Histórias Ujamaa, desenvolvido pela pedagoga e produtora cultural Tainã Rosa. Lançada na terça-feira (4/5) em live transmitida pelo Facebook, a iniciativa visa contemplar cinco costureiras com formação continuada, que ministrarão oficinas de costura de bonecas de pano para outras 100 mulheres de bairros periféricos da cidade. As inscrições para o projeto, que é gratuito, já estão abertas e podem ser feitas através do formulário: https://forms.gle/9aPXry5qis1qn32h6

O Panô de Histórias foi contemplado por edital da Fundação Marcopolo com recursos oriundos da Lei Aldir Blanc nº 14.017/2020. Os moldes das bonecas de pano, desenvolvidos por Tainã, foram premiados pela Fundação Cultural Palmares com o prêmio Arte do Quilombo, em 2020. Nas formações, as alunas ganharão kits de costura próprios e aprenderão a criar dois bonecos inspirados em griôs (contadores de histórias) locais: Mestre Chico e Mestre Etelvina. “Eles são responsáveis por perpetuar a história e a cultura locais, com músicas e saberes ancestrais. São os guardiões da memória e da história oral do povo negro”, explica a pedagoga, ressaltando que, em algumas regiões do Brasil, a cultura griô é considerada patrimônio imaterial. “Mestre Chico, por exemplo, é um dos responsáveis por dar continuidade à tradição do tambor de sopapo, instrumento criado pelos negros gaúchos e que ficou famoso com o carnaval do Rio de Janeiro”, pontua.

As cinco costureiras que ministrarão as atividades serão instruídas por meio de workshop online, gravado por Tainã, que ensinará a confeccionar as peças. Além disso, os próprios griôs também gravarão vídeos com contações de histórias sobre Alvorada, para inspirar as alunas. Todo o material será disponibilizado de maneira vitalícia. “É uma formação introdutória, uma entrada na arte têxtil. É uma via de mão dupla: elas poderão se reconhecer como parte da sua própria história e, a partir disso, gerar renda”, pondera a produtora. Os kits, que contarão com materiais como tecidos, tintas, linhas e agulhas, foram majoritariamente adquiridos no comércio local de Alvorada, como forma de movimentar a economia da cidade.

As oficinas ocorrerão simultaneamente nos bairros Americana, Stella Maris, Bela Vista, Formoza e Tijuca nos dias 26 de maio, 2, 9 e 16 de junho, sempre das 18h às 21h. Cada costureira ministrará as formações para 20 participantes, sempre divididas em dois grupos. Ou seja, terão 10 alunas por vez. Serão atividades com distanciamento social, uso de máscaras obrigatório, em locais bem ventilados e com disposição de álcool em gel e sabonetes líquidos para a lavagem de mãos. “Minha maior preocupação era atingir o máximo de mulheres possível, em especial as mães e trabalhadoras. Por isso, as formações ocorrerão no turno da noite. Também haverá intérpretes de Libras, pois já temos pessoas com deficiência interessadas na formação”, relata Tainã.

Mulheres a partir de 18 anos podem se inscrever normalmente. De 16 a 17 anos, com autorização escrita dos pais, e de 08 a 15 anos, com a presença de algum responsável no momento da atividade. “A minha trajetória com as artes manuais começou muito cedo, quando eu ainda era criança. Pensei em proporcionar às meninas dessa idade a mesma oportunidade porque sei o quão importante foi para mim a proximidade com as artes desde pequena”, pontua.

Sobre Tainã Rosa
Tainã Rosa é professora, escritora, contadora de histórias, artista visual, podcaster e produtora cultural. É pedagoga, especializada em ensino de Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica e mestranda em Literatura, na linha de Pós-colonialismo e Identidades, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Atua em diferentes projetos culturais integrando artes visuais e literatura. Entre os temas versados em seu processo artístico, estão centralizadas as relações étnico-raciais.