Foto: Divulgação | UFRGS

UFRGS desliga de uma só vez 190 estudantes por não cumprimento de regras de cotas

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Luís Eduardo Gomes | Sul21

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) anunciou nesta semana o desligamento de ao menos 190 cotistas que estavam matriculados provisoriamente desde o início do ano letivo de 2021, informa o Diretório Central de Estudantes (DCE) da instituição. O desligamento de estudantes que ingressaram pelo regime de cotas acontece anualmente após o período de revisão de recursos de cotistas que tiveram a vaga rejeitada pelas instâncias administrativas da universidade, seja por não se adequarem a regras para vagas reservadas por critérios socioeconômicos ou raciais. Contudo, o diretório critica a forma como o processo transcorreu em 2021.

De acordo com o DCE, os estudantes foram avisados do desligamento em um e-mail recebido às 18h de quarta-feira (2), véspera do feriado de Corpus Christi, e serão desligados oficialmente a partir de segunda-feira (7). Victória Farias, que faz parte do grupo de trabalho do DCE que tem a responsabilidade de acompanhar a situação das matrículas provisórias, afirma que a diferença dos desligamentos deste ano para os anos anteriores é que, em 2021, ocorreram no final do semestre, mas sem aviso.

“Não avisaram ninguém, só liberaram a lista de desligamentos no e-mail das pessoas que foram desligadas, o que gerou toda uma comoção de estarem desligando 190 pessoas de uma vez. Antes, eles iam fazendo aos poucos, o que inclusive ajudava o DCE a atender, mas agora liberaram uma grande leva de uma só vez”, afirma. “No meio de uma pandemia, no final de semestre, um semestre super desgastante, as pessoas foram desligadas sem nenhum aviso, sem nenhuma informação e, como era véspera de feriado, sem nenhum plantão da universidade para tirar dúvidas e para prestar algum tipo de apoio a estes estudantes”.

Victória explica que os estudantes desligados já tiveram um período de recurso nas esferas da universidade encerrado e que, agora, poderão apenas recorrer judicialmente. “A gente está vendo caso a caso para ver se não houve algum erro da universidade. Tem casos de pessoas que não foram notificadas por e-mail para fazerem os seus recursos, que não tiveram acesso à informação, muito porque são pessoas que não conhecem bem a universidade, já ingressaram durante a pandemia, então não sabiam a forma de funcionamento. E, de repente, alguns erros de análise que a gente está vendo e podem ser revertidos judicialmente”, diz.

A integrante do DCE explica ainda que a maioria dos cotistas desligados ingressaram na universidade por meio das vagas socioeconômicas, mas destaca que o DCE ainda não terminou de fazer o levantamento dos casos até a tarde desta sexta-feira (4). “Os estudantes de cotas raciais, a princípio são pessoas que ou não compareceram na banca de aferição, e são esses que não foram notificados, ou compareceram e não foram aprovados pela banca. Nesses casos, a gente não intervém, é uma decisão da comissão”, diz, referindo-se à Comissão Permanente de Verificação da Autodeclaração Étnico-racial, que é formada por 11 servidores, 3 representantes discentes e 2 integrantes do Movimento Negro com vínculos na universidade.

Ela explica que o DCE já entrou em contato com a maioria dos estudantes e que irá dar apoio jurídico para os casos em que há possibilidade de reverter a decisão judicialmente ou ainda no âmbito administrativo da universidade.

A reportagem enviou um pedido de posicionamento à UFRGS na tarde desta sexta, mas ainda não obteve retorno.