Foto: reprodução

Vacina da Pfizer é eficaz mesmo com intervalo estendido

De acordo com Luís Carlos Ferreira, o espaço de 12 semanas para a aplicação das duas doses recomendadas pelo Ministério da Saúde não interfere no funcionamento do imunizante

Compartilhe esta notícia

Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on email
Share on whatsapp

A vacina contra a covid-19 da farmacêutica Pfizer já esta sendo aplicada em território brasileiro. O regime de duas doses deve ser dado com intervalo de três semanas, mas o Ministério da Saúde recomenda que sejam 12 semanas, o que levanta dúvidas sobre alterações na eficácia do imunizante.

O professor Luís Carlos Ferreira, do Departamento de Microbiologia, diretor do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP e pesquisador da Plataforma Científica Pasteur-USP (SPPU), comenta que essa é uma vacina genética, composta de material genético que, ao ser inoculado na célula, gera a resposta imunológica. “Elas se mostram capazes de desencadear imunidade protetora contra o vírus de uma maneira muito eficiente”, afirma ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição.

Segundo Ferreira, diferentes intervalos entre as doses foram experimentados durante os testes clínicos. “Não há dúvida que a vacina é capaz de proteger, seja no intervalo de 21 dias, seja no intervalo de três meses.” O professor lembra que em outros países, como a Inglaterra, também foi adotado um intervalo maior, como o recomendado pelo Ministério da Saúde. “Mesmo com intervalo estendido, essa vacina se mostra muitíssimo eficaz para o controle da covid”, afirma.

Uma única dose não é o suficiente para gerar a imunidade completa, embora já haja uma proteção significativa. De acordo com Ferreira, não existem dados sobre a combinação de imunizantes diferentes, por isso é importante que as duas doses tomadas sejam do mesmo imunizante.

O Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do ICB-USP desenvolve diferentes tipos de tecnologia, inclusive as de RNA mensageiro, como a da Pfizer. “Nós estamos testando, em condições experimentais, formulações que têm potencial para ter resultados tão bons ou até superiores ao que está sendo alcançado com a vacina que é comercializada”, diz Ferreira. Além de vacinas contra infecções virais como a covid-19, o laboratório desenvolve material contra outros tipos de doença, como alguns tumores.

Jornal da USP