O governo do Rio Grande do Sul colocou em operação um novo serviço tecnológico que permite antecipar a elevação do nível dos rios e mapear áreas com risco de inundação. A iniciativa integra o Plano Rio Grande, criado para reforçar a prevenção e a resposta do Estado diante de eventos climáticos adversos cada vez mais frequentes.
A chamada modelagem hidrodinâmica começou a funcionar em setembro de 2025 e possibilita acompanhar, em tempo real e por meio de simulações, o comportamento dos cursos d’água em diferentes cenários. A ferramenta projeta a evolução do volume de água, identifica zonas vulneráveis e contribui para a emissão de alertas mais precisos à população.
Segundo o governador em exercício, Gabriel Souza, o novo serviço representa um avanço na capacidade de planejamento do Estado. Ele destacou que a tecnologia permite antecipar cenários de risco, apoiar decisões da Defesa Civil e ampliar o suporte técnico aos municípios, especialmente em situações de chuvas intensas e cheias prolongadas.
Antes da implantação do sistema, o Estado não dispunha de uma estrutura própria para esse tipo de análise. Durante as enchentes registradas em 2024, foi necessário recorrer a plataformas abertas e fontes externas para acompanhar o comportamento dos rios.
Integração com alertas e Defesa Civil
A modelagem hidrodinâmica passou a operar de forma integrada ao Sistema de Monitoramento e Alerta já existente no RS, que reúne dados de radares meteorológicos, estações pluviométricas e sensores fluviométricos. A consolidação dessas informações permite prever situações hidrológicas críticas e subsidiar a elaboração de planos de contingência.
De acordo com o coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Boeira, a previsão antecipada do nível dos rios, tanto em curto quanto em médio prazo, é fundamental para orientar ações preventivas, como a emissão de alertas e o contato direto com prefeituras e coordenadorias municipais.
Como funciona o sistema
O serviço simula o deslocamento da água ao longo do tempo e do espaço, utilizando dados de topografia, chuvas previstas e vazão dos rios. Com base nessas informações, o sistema indica como o volume de água tende a se distribuir nas áreas monitoradas.
A ferramenta também trabalha com limiares de inundação, classificando cada ponto analisado em níveis como normalidade, atenção, alerta ou inundação. Durante a vigência de avisos hidrometeorológicos, são divulgados boletins atualizados com a situação atual das cotas dos rios e a tendência para os dias seguintes.
Além disso, o modelo gera mapas de manchas de inundação, que simulam até onde a água pode avançar em caso de transbordamento, oferecendo subsídios técnicos para ações preventivas e emergenciais.



