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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Quase 70 mil medidas protetivas em 2025, mas para muitas mulheres, a proteção ainda chega tarde demais

Mesmo com recorde de ordens judiciais, o Rio Grande do Sul registra uma sequência alarmante de feminicídios nos primeiros dias de 2026

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Apesar do número expressivo de medidas protetivas concedidas em 2025, quase 70 mil em todo o país, a violência contra mulheres continua fazendo vítimas no Rio Grande do Sul. Apenas nos primeiros 27 dias de 2026, dez mulheres foram assassinadas em crimes classificados como feminicídio, a maioria cometida por companheiros ou ex-companheiros, muitas vezes diante dos próprios filhos.

O cenário expõe falhas estruturais na prevenção, na fiscalização das medidas judiciais e na capacidade de resposta do poder público diante de situações de risco já conhecidas.

No último final de semana, Karizele de Oliveira Senna, de 30 anos, foi morta a facadas em Novo Hamburgo. O crime ocorreu na frente das duas filhas da vítima, uma pré-adolescente de 12 anos e um bebê de oito meses. O companheiro, de 31 anos, se entregou à polícia após ficar foragido.

Em Tramandaí, no Litoral Norte, Leila Raquel Camargo Feltrin, de 25 anos, foi assassinada após horas de agressões. Vizinhos relataram gritos e brigas desde a madrugada, o que motivou acionamentos à Brigada Militar. O suspeito tentou fugir, mas foi preso. Leila deixou dois filhos pequenos.

Em Santa Cruz do Sul, Paula Gomes Gonhi, de 44 anos, foi morta dentro de casa com golpes de faca. O companheiro, de 31 anos, foi preso em flagrante. O filho da vítima, de 17 anos, presenciou o crime. Segundo a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), o crime pode ter sido motivado por ciúmes.

Outro caso que chocou o Estado foi o de Mirella dos Santos da Silva, de apenas 15 anos, assassinada a facadas na casa do namorado, em Sapucaia do Sul. A adolescente foi encontrada amarrada e possuía medida protetiva havia cerca de um mês, o que reacende o debate sobre a efetividade dessas decisões judiciais.

A seguir, os casos registrados até o momento, com nomes e circunstâncias preservados, evidenciando o padrão de violência doméstica e de gênero:

Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte, 31 anos
Primeira vítima de feminicídio de 2026 no RS. Bombeira civil, foi morta com sete facadas dentro de casa, em Guaíba, no dia 3 de janeiro. Deixou um filho de dez anos. O companheiro, de 44 anos, foi preso preventivamente.

Letícia Foster Rodrigues, 37 anos
Encontrada morta em uma plantação de soja em Canguçu, no dia 13 de janeiro, com ferimento de corte no pescoço. O companheiro, de 36 anos, foi preso. O casal tinha um filho de quatro anos.

Marinês Teresinha Schneider, 54 anos
Assassinada a tiros em Santa Rosa, no dia 18 de janeiro. O ex-companheiro, de 57 anos, invadiu a casa e cometeu o crime. Ele se entregou no dia seguinte.

Josiane Natel Alves, 32 anos
Morta com nove golpes de faca no bairro Campo Novo, zona Sul de Porto Alegre, também em 18 de janeiro. A filha de 14 anos presenciou o crime. O ex-companheiro, de 29 anos, foi preso em flagrante.

Paula Gabriela Torres Pereira, 39 anos
Esfaqueada em uma parada de ônibus no bairro Chapéu do Sol, em Porto Alegre, no dia 19 de janeiro. O ex-companheiro, de 50 anos, foi preso. O casal disputava a guarda da filha de cinco anos.

Mirella dos Santos da Silva, 15 anos
Assassinada em 20 de janeiro, em Sapucaia do Sul. O namorado, de 25 anos, foi preso em flagrante.

Uliana Teresinha Fagundes, 59 anos
Morta a tiros em Muitos Capões, na Serra, em 20 de janeiro. O companheiro, de 59 anos, fugiu e ainda não havia sido preso até a última atualização.

Karizele Oliveira Senna, 30 anos
Assassinada em Novo Hamburgo, na madrugada de 24 de janeiro, diante das filhas. O companheiro se apresentou à polícia.

Leila Raquel Camargo Feltrin, 25 anos
Morta após sucessivas agressões em Tramandaí, no dia 25 de janeiro. O suspeito foi preso após tentativa de fuga.

Paula Gomes Gonhi, 44 anos
Morta a facadas em Santa Cruz do Sul, em 26 de janeiro. O crime foi presenciado pelo filho adolescente.

Os casos reforçam um padrão recorrente: a maioria das vítimas foi morta por parceiros ou ex-parceiros, muitas vezes após histórico de violência e denúncias. Embora as medidas protetivas sejam um instrumento fundamental, especialistas apontam que sua eficácia depende de fiscalização contínua, resposta rápida das forças de segurança e políticas públicas integradas.

Enquanto isso, os números seguem crescendo, transformando estatísticas em histórias interrompidas, e deixando filhos, familiares e comunidades marcados por uma violência que insiste em se repetir.

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