421 mulheres mortas e 660 filhos órfãos: o rastro silencioso do feminicídio nos últimos quatro anos no RS – Notícias
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Foto: Jorge Leão

421 mulheres mortas e 660 filhos órfãos: o rastro silencioso do feminicídio nos últimos quatro anos no RS

Desde 2013, mais de 3,5 mil mulheres sobreviveram a tentativas de feminicídio

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Um relatório produzido por uma Comissão Externa da Câmara dos Deputados acendeu um alerta sobre a escalada da violência contra mulheres no Rio Grande do Sul. O documento descreve o momento como um dos mais críticos da série histórica e afirma que o estado vive uma repetição de crimes que poderiam ter sido evitados.

Em menos de dez meses, duas sequências semelhantes chocaram o estado: 11 mulheres assassinadas em 11 dias durante a Páscoa de 2025 e, no início de 2026, outros 11 feminicídios registrados em apenas um mês. As duas ondas deixaram, juntas, ao menos 30 crianças e adolescentes órfãos.

Somente em 2025, o RS contabilizou 80 feminicídios. No acumulado entre 2012 e 2025, foram 1.284 mulheres mortas por violência de gênero, média de quase 92 casos por ano. Os dados indicam ainda que ocorre, em média, um feminicídio a cada quatro dias no estado e uma tentativa a cada 31 horas.

Na série de 2025, a maioria das vítimas foi morta dentro de casa, por companheiros ou ex-companheiros. Nenhuma tinha medida protetiva ativa no momento do crime. Já nos casos registrados em 2026, algumas mulheres haviam solicitado proteção judicial e tinham histórico de agressões registrado.

Além das mortes consumadas, os números mostram um cenário contínuo de risco: entre 2021 e 2025, 421 mulheres foram assassinadas e 660 filhos ficaram órfãos. Desde 2013, mais de 3,5 mil mulheres sobreviveram a tentativas de feminicídio. Apenas em 2025, foram 264 tentativas, aumento de 10% em relação ao ano anterior, e mais de 52 mil ocorrências ligadas à Lei Maria da Penha.

A comissão concluiu que os crimes revelam falhas recorrentes na rede de proteção. Entre os principais problemas apontados estão:

número reduzido e estrutura limitada das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher;

cobertura restrita da Patrulha Maria da Penha, presente em menos de um quarto dos municípios;

uso ainda baixo de tornozeleiras eletrônicas para monitoramento de agressores;

falta de serviços especializados no interior;

demora em perícias e investigações.

Para os parlamentares, a estrutura atual não consegue responder de forma eficaz ao risco identificado em muitos dos casos.

O relatório também chama atenção para a execução de recursos públicos destinados às políticas para mulheres. Em 2022, pouco mais de um terço do valor previsto foi efetivamente aplicado. Em 2023, não houve registro de execução direta do montante previsto. Em 2024, a aplicação foi inferior a R$ 200 mil, mesmo com previsão de R$ 3 milhões.

Entre as recomendações estão o funcionamento 24 horas das Delegacias da Mulher, ampliação da Patrulha Maria da Penha para todo o estado, expansão do uso de tornozeleiras eletrônicas, criação de Casas da Mulher Brasileira e maior integração às políticas nacionais de enfrentamento ao feminicídio.

O relatório encerra com um alerta: sem ações coordenadas, permanentes e com recursos garantidos, o estado corre o risco de continuar registrando sequências de mortes em curtos intervalos de tempo.

Em situação de emergência, ligue 190. O número 180 também recebe denúncias e orienta vítimas de violência contra a mulher.

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