O investimento em cultura apresenta um dos maiores retornos econômicos entre os setores produtivos, segundo estudos internacionais. Pesquisa conduzida pela economista Mariana Mazzucato, da University College London (UCL), em parceria com a UNESCO, aponta que cada R$ 1 investido em atividades culturais retorna R$ 7,59 à economia, quase o dobro do observado na indústria automobilística, cujo multiplicador é de R$ 3,76.
Os números do Carnaval brasileiro ilustram esse impacto. A festa reúne cerca de 65 milhões de pessoas nas ruas e deve gerar R$ 18,6 bilhões em receitas, com destaque para o Rio de Janeiro, onde a taxa de ocupação hoteleira atinge 98,6%. A cidade espera receber 1,42 milhão de turistas internacionais, além de movimentar cerca de 70 mil empregos diretos e promover 458 blocos de rua.
Especialistas apontam que, para além do espetáculo, o Carnaval se apoia em uma cadeia produtiva permanente. Escolas de samba funcionam ao longo de todo o ano como centros de formação em áreas como costura, marcenaria, elétrica e gestão cultural. Estudos da UCL indicam que essa estrutura contribui para a inclusão social e para a redução da criminalidade entre jovens em territórios vulneráveis.
O alcance da cultura brasileira também se reflete no mercado global. Dados de plataformas digitais indicam que 75% das reproduções no Spotify Brasil são de artistas nacionais. No cenário internacional, o DJ Vintage Culture já figurou como número 1 em rankings mundiais, enquanto o funk brasileiro desponta como um dos gêneros de maior crescimento fora do país.
Para economistas da área cultural, os indicadores reforçam que o Carnaval, frequentemente visto apenas como entretenimento ou feriado representa, na prática, um dos mais eficientes multiplicadores fiscais e sociais do Brasil, com efeitos duradouros na economia criativa, no turismo e na formação profissional.



