O Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira (17) o presidente José Jeri, após apenas quatro meses no cargo. A decisão foi tomada por maioria simples em uma moção de censura, em meio a um escândalo envolvendo encontros não divulgados do então chefe de Estado com um empresário chinês.
A votação registrou 75 votos favoráveis à destituição, 24 contrários e três abstenções. Com o resultado, o Congresso declarou vaga a presidência da República. “A mesa diretiva declara a vaga do cargo de presidente do Congresso da República e, em consequência, encontra-se vago o cargo de presidente da República”, anunciou Fernando Rospigliosi, responsável por conduzir a sessão.
Pelas regras peruanas, a censura exige maioria simples, ao contrário do impeachment, que requer pelo menos 87 votos em um parlamento de 130 integrantes. Com a destituição, o sucessor de Jeri deverá se tornar o oitavo presidente do país andino em apenas oito anos, evidenciando a prolongada instabilidade política nacional.
José Jeri, de 39 anos, havia assumido a presidência em outubro de 2025, após a destituição de Dina Boluarte. Ela, por sua vez, governava desde 2022, quando o então presidente Pedro Castillo foi derrubado após um ano e meio de mandato.
O agora ex-presidente foi acusado de realizar reuniões não oficiais com empresários chineses, uma das quais motivou a abertura de investigação por suspeita de tráfico de influência. Jeri e aliados defendiam que o caso fosse analisado em processo de impeachment, e não por censura, mas afirmaram que respeitariam o resultado da votação.
Com a cadeira presidencial vaga, líderes partidários do Congresso peruano devem se reunir para definir uma lista de candidatos à presidência do Parlamento, posto que, pelas normas locais, definirá o próximo chefe de Estado interino.



