Fim da escala 6×1 ganha tração no Congresso e acirra disputa política e econômica – Notícias
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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Fim da escala 6×1 ganha tração no Congresso e acirra disputa política e econômica

PEC que reduz jornada semanal para 36 horas opõe governo, partidos e empresários, com pressão para votação ainda neste ano

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A discussão sobre o encerramento da escala de trabalho 6×1 avançou no Congresso Nacional e passou a ocupar o centro do debate político em Brasília. O modelo, no qual o trabalhador atua seis dias consecutivos e folga apenas um, é alvo de uma Proposta de Emenda à Constituição que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, sem diminuição salarial — ponto que tem provocado forte reação de parte do setor produtivo e de bancadas partidárias.

Na Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou a PEC para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A relatoria ficará a cargo do deputado Paulo Azi (União Brasil-BA), escolha que gerou desconforto entre defensores da proposta, já que o partido tem sinalizado resistência ao texto.

Nos bastidores, União Brasil e PL articulam para adiar a tramitação e evitar que a matéria chegue ao plenário antes do período eleitoral. A avaliação interna é de que, se colocada em votação, a proposta teria grandes chances de aprovação, impulsionada pelo forte apelo popular junto ao eleitorado.

Governo pressiona por avanço

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem defendido publicamente o fim da escala 6×1 como uma das prioridades do governo, argumentando que a mudança representa um avanço civilizatório e melhora direta na qualidade de vida dos trabalhadores. Para aliados do Planalto, a proposta aproxima o Brasil de modelos internacionais que já adotam jornadas reduzidas.

Centrais sindicais também intensificam a mobilização e pretendem transformar o tema em uma das principais bandeiras do Dia do Trabalhador, reforçando a pressão sobre o Legislativo para que a votação ocorra ainda em 2026.

Setor produtivo vê risco econômico

Na outra ponta, entidades empresariais alertam para impactos significativos nos custos das empresas. A Confederação Nacional da Indústria calcula que a redução da jornada, sem ajuste salarial, possa gerar um aumento anual de até R$ 267 bilhões nos custos operacionais, sendo quase R$ 90 bilhões concentrados apenas no setor industrial.

Já o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, Paulo Solmucci, estima que os custos trabalhistas do setor podem subir cerca de 20%, com reflexos diretos no bolso do consumidor, por meio de reajustes de preços entre 7% e 8%. Empresários também citam dificuldades para contratar novos funcionários em um mercado de trabalho aquecido e temem fechamento de pequenos negócios, sobretudo em regiões mais vulneráveis.

Caminho longo e cenário eleitoral

Embora a proposta ganhe apoio popular e espaço nas redes sociais, o caminho legislativo ainda é extenso. A PEC precisa ser aprovada na CCJ e, depois, passar por dois turnos de votação tanto na Câmara quanto no Senado. Em um ano marcado por disputas eleitorais, o tema promete seguir como um dos mais sensíveis e polarizadores da agenda nacional, equilibrando promessas de bem-estar social e alertas sobre impactos econômicos.

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