A comunidade e os visitantes já podem conferir, em Gramado, o resultado do projeto cultural “Muralismo e os povos originários: do esquecimento à inclusão”: um conjunto de três murais permanentes, criado e executado pelo artista plástico Alessandro Müller, instalados na parede lateral do Arquivo Público João Leopoldo Lied, junto à Vila Joaquina – Território Criativo. Mais do que uma intervenção urbana, a obra forma uma narrativa visual baseada na cultura e na ancestralidade Kaingang, inspirada na filosofia cíclica que compreende a vida como um fluxo contínuo — “Começo, Meio, Começo”.
Em três painéis, a criação percorre símbolos de identidade, memória e futuro: a criança Kaingang com a “peça que falta” e a gralha-azul, associada à Mata Atlântica e à dispersão das sementes de araucária; as mãos que acolhem uma muda da árvore, refletindo cuidado, continuidade e transmissão de saberes e o rosto em formação, cercado por peças e pássaros em movimento, transformação e reconstrução.
O projeto nasce do compromisso de incluir, através da arte, a presença indígena no registro cultural da cidade. Para o artista Alessandro Müller, essa é uma responsabilidade da própria linguagem artística: “O papel do artista também é o de abrir espaço para temas fundamentais da nossa história e da nossa formação como cidadãos. A arte comunica e, quando ela está na rua, no espaço público, ela se torna acessível a todos. Ela encontra as pessoas no caminho e as convida à reflexão”, diz
Como parte do compromisso com inclusão, cada mural conta com QRCode de acesso a audiodescrições imagéticas detalhadas, produzidas por equipe especializada em acessibilidade, garantindo fruição qualificada também para pessoas com deficiência visual. Além da entrega artística permanente à cidade, ao longo do último ano, o projeto realizou atividades culturais e formativas gratuitas, articulando arte urbana, educação e valorização dos povos originários, através de: palestra sobre Patrimônio Cultural Imaterial, curso de formação para mediadores de educação patrimonial, vivência de grafismo indígena na aldeia, oficinas de grafite/muralismo em escolas públicas, exibição do documentário “Os povos originários da Serra Gaúcha”, palestra sobre grafite e capacitação em acessibilidade atitudinal. Um destaque especial foi a aproximação da cultura Kaingang com crianças das escolas infantis, por meio de contação de histórias, criando vínculo afetivo e formativo desde a primeira infância.
Por fim, embora os murais já estejam concluídos e disponíveis para visitação, o projeto prevê que a cerimônia formal de entrega ocorra durante o mês de março, reunindo comunidade, classe artística e convidados, marcando oficialmente a incorporação desse legado ao cotidiano cultural de Gramado. O projeto concorreu com mais de duzentas iniciativas culturais, vindas de todo o estado do Rio Grande do Sul, ficando em 7º lugar no edital SEDAC/LPG nº 11/2023 – Pesquisa, Registro e Memória e, contando assim, com recursos da Lei Complementar nº 195/2022 na sua realização.
Realização: Atelie das Utopias. Produção: LM Produções Artísticas. Parcerias: Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, Museu do Vinho, Secretaria Municipal de Turismo de Gramado e Retomada Kaingang. Financiamento: Pro Cultura, Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Lei Paulo Gustavo, Ministério da Cultura, Governo Federal Brasil União e Reconstrução.
Financiamento: Pro Cultura, Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Lei Paulo Gustavo, Ministério da Cultura, Governo Federal Brasil União e Reconstrução. Legenda: artista Alessandro Muller e Cacique Kaingang Maurício Salvador em frente aos murais.
Texto: Patrícia Viale/Prefeitura de Gramado



