Entre 2021 e 2025, mais de 2,9 mil homens precisaram passar por amputação do pênis no Brasil em decorrência do câncer peniano. No mesmo período, a doença foi responsável por mais de 2,3 mil mortes, conforme dados do Ministério da Saúde. Apesar dos números expressivos, especialistas reforçam que se trata de um tipo de câncer altamente prevenível, associado principalmente à falta de higiene íntima adequada, à infecção pelo HPV e a condições anatômicas que dificultam a limpeza da região.
Segundo o oncologista Ariê Carneiro, do Hospital Israelita Albert Einstein, o câncer de pênis está diretamente ligado a hábitos de higiene e pode ser evitado com orientação desde a infância. Ele destaca a importância de ensinar meninos, ainda jovens, a realizar corretamente a limpeza da região íntima, hábito que deve ser mantido ao longo da vida adulta.
A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) explica que homens que possuem prepúcio podem apresentar maior risco quando a higiene não é feita de forma adequada. Isso ocorre porque resíduos de urina e secreções podem se acumular sob a pele que recobre a glande, favorecendo inflamações crônicas, infecções e alterações no tecido local, fatores que aumentam o risco de desenvolvimento do tumor.
Entre as principais medidas preventivas está a higienização diária do pênis com água e sabão, sempre puxando o prepúcio para permitir a limpeza completa da glande, especialmente após as relações sexuais. A vacinação contra o HPV também é apontada como fundamental, já que o vírus está associado a diversos tipos de câncer. No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina é oferecida a públicos específicos, enquanto na rede privada pode ser aplicada em qualquer faixa etária.
Outra medida importante é a postectomia, cirurgia que remove o prepúcio, indicada em casos em que a pele impede a higienização adequada. O uso de preservativos também contribui para a prevenção, ao reduzir o risco de infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HPV.
A incidência do câncer de pênis aumenta com a idade, sendo mais comum entre homens de 50 a 70 anos. No entanto, especialistas alertam que a doença pode atingir pessoas mais jovens e que qualquer alteração deve ser investigada. Feridas que não cicatrizam, verrugas ou caroços persistentes, secreções com odor forte, áreas endurecidas ou avermelhadas, sangramentos na glande e coceira contínua estão entre os sinais mais frequentes.
Os médicos reforçam que a observação regular da região íntima é essencial para o diagnóstico precoce. De acordo com Ariê Carneiro, o hábito do autoexame pode fazer a diferença no tratamento. Quando identificado em estágio inicial, o câncer de pênis pode ser tratado com a retirada apenas do tumor, preservando o órgão e evitando a amputação total.



