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Luciano Velleda | Sul21

Entre as divergências que marcam os candidatos à Prefeitura de Porto Alegre, o enfrentamento da crise do coronavírus é mais um tema. O aumento da contaminação na Capital e das internações por covid-19 em leitos clínicos e de UTIs nos hospitais projeta a continuidade do cenário de dificuldade para quem assumir o governo municipal a partir do dia 1º de janeiro de 2021. Com mais de 1.500 mortes até o momento e diversos setores da economia abaladíssimos, a existência de um plano para enfrentar a doença na Capital é primordial para salvar vidas e dar fôlego às atividades econômicas.

Nos últimos dias do segundo turno da campanha, o assunto tem sido abordado pelos candidatos em debates, sabatinas e entrevistas. E então algumas ideias opostas ficam evidentes. A primeira, e talvez a mais significativa nesse momento da crise que já dura 10 meses, é com relação à vacina.

No debate promovido pela rádio Gaúcha no último dia 18, Sebastião Melo (MDB) disse acreditar que o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) irá comprar e distribuir a vacina. Caso isso não ocorra, declarou que a Prefeitura poderá então comprá-la por meio de convênio, sem entrar em detalhes do planejamento.

Manuela D’Ávila (PCdoB), por sua vez, tem sido mais enfática na defesa de que a cidade tenha gestão própria sobre a vacina contra a covid-19. Na sabatina dessa quinta-feira (26) com veículos independentes, organizada pelo Sul21, ela destaca que a Pfizer já entregou à Anvisa os estudos da fase 3 e avalia que o debate está fraco no País. “A vacina não vai cair do céu. O mundo todo debate se vai chegar (a vacina) em dezembro ou em janeiro, porque já fez a gestão, já está na fila, e a gente está fora da fila”, afirmou.

Ela acredita que a vacina seja a solução definitiva para retomar o setor de eventos, por exemplo, ainda um dos mais afetados pela crise do novo coronavírus, assim como toda a economia em geral. “Enquanto a gente não tiver a vacina, vamos ter dificuldade em fazer esse enfrentamento. Essa é a principal ação pra garantir a movimentação econômica da cidade.”

Se eleita, a candidata afirma que atuará para fazer a gestão da vacina com quem for necessário, independente se a vacina for a desenvolvida pelo Instituto Butantan, do governo de João Doria (PSDB), a russa ou da americana Pfizer. Bolsonaro tem publicamente travado uma disputa política com o governador de São Paulo em torno da vacina CoronaVac, desenvolvida por laboratório chinês, sempre criticando o país asiático. “Eu não tenho escolha ideológica, não tenho tipo de vacina, tenho pressa, porque é isso que pode salvar vidas e fazer com que as mulheres possam trabalhar sem ficar ‘esgualepadas’ por não terem com quem deixar os filhos”, defende.

Em suas manifestações, o candidato Melo tem dado maior ênfase à criação de um comitê para analisar a situação da crise epidemiológica em Porto Alegre, composto por infectologistas, pelo Conselho Regional de Medicina do Estado, economistas e representantes do setor. A intenção, diz ele, é que o comitê possibilite tomar decisões com equilíbrio. “Esse abre e fecha quebrou muita gente. A economia precisa reabrir com os protocolos sanitários adequados”, disse Melo, no debate da rádio Gaúcha, sem especificar qual diferença haveria entre os protocolos até agora adotados.

Atualmente, a Prefeitura de Porto Alegre já conta com a orientação de um comitê formado por médicos e pesquisadores.

Manuela também projeta a criação de um comitê de crise para auxiliar, entre outros aspectos, as condições para que a economia permaneça aberta. A candidata tem falado ainda em usar o Fundo Municipal de Combate ao Coronavírus (FunCovid) para promover uma política de testagem — por sua vez, a questão dos testes não tem sido enfatizada por Melo.

A candidata do PCdoB tem dito que planeja contar com os trabalhadores do Instituto Municipal de Estratégia Saúde da Família (Imesf) e as unidades contratualizadas para, junto com os agentes comunitários de saúde, conter o avanço do coronavírus na periferia de Porto Alegre.