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Contrariando a última pesquisa Ibope divulgada no sábado, 28, o ex-vice-prefeito de Porto Alegre (RS) Sebastião Melo (MDB) se elegeu como prefeito da capital gaúcha com 54,63% dos votos ante 45,37% da candidata do PCdoB, Manuela D’Ávila. No levantamento, Melo aparecia atrás da opositora com 49% dos votos válidos, enquanto Manuela liderava com 51%. “Eu acho que o Ibope é caso de polícia”, afirmou o prefeito eleito nesta nesta terça-feira, 1º. Ele classificou as eleições em Porto Alegre como um “grenal”, em referência ao duelo entre os clubes gaúchos de futebol Grêmio e Internacional. “Grenal é quando apita o jogo, a bola rola e todo mundo canta vitória antes da partida, mas só depois que apita o final é que vem o resultado”, explica o MDBista. Em seguida, Melo teceu críticas ao instituto. “Não é a primeira vez que isso acontece no Brasil. Na eleição de 2016, das 26 capitais, acho que o Ibope errou feiamente em 16, 17”, relembra. “Chegou na reta final, o instituto lançou uma pesquisa quando faltava seis horas para começar a votação, dizendo que a minha concorrente ganharia eleição. Eu ganhei a eleição dela com quase 10 pontos”, justifica. “Cá para nós, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem sido muito rigoroso nas eleições, mas não tem sido rigoroso com as pesquisas”.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, Melo apresentou suas propostas para o combate à pandemia do coronavírus na cidade e afirmou que um lockdown não está em discussão. Para traçar um plano, o prefeito eleito se encontrou na segunda-feira, 30, com o atual prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan (PSDB), e os dois estabeleceram o Comitê de Transição. Segundo Melo, o tema central da reunião foi pandemia e a situação da economia na capital. “Eu tenho sido firme no meu propósito de que essas duas coisas devem andar juntas. Nós tivemos uma quebradeira muito grande aqui na cidade. Muito desemprego, informalidade… Então, eu não pretendo fechar a cidade. Eu pretendo, sim, ter protocolos muito trabalhados com os setores econômicos”, explica. Sebastião Melo irá se encontrar com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), ainda nesta terça-feira para discutir o sistema de bandeiras sobre a situação da Covid-19 no estado. “Estamos com bandeira vermelha em quase todo o Rio Grande do Sul, e isso afeta a capital”, diz. “A cidade não aguenta mais esse abre e fecha, não tem mais como viver assim. Eu acho que a pandemia controlada, a questão controlada, é muito melhor do que o descontrole. Vai dizer que não tem aglomeração nas cidades que estão controladas? Então é melhor tu ter o comércio aberto, com distanciamento, com os equipamentos, e a cidade funcionando. Eu penso que, com responsabilidade na questão da Saúde, não podemos desconsiderar a questão econômica. E é assim que eu vou agir como prefeito”, finaliza Melo.

Ao ser perguntando sobre quais motivos o prefeito eleito acredita que levaram opositora Manuela D’Ávila a perder o pleito, Melo desconversou. “Eu gosto de olhar para frente. Acho que o eleitor já deu a resposta nas urnas, já fez o julgamento de qual projeto deveria governar a cidade”, argumenta. O prefeito eleito falou sobre suas propostas de liberalismo econômico, sobre o investimento em parcerias público-privadas e sobre a “não-divisão” da sociedade entre classes e raças. “Esse foi o projeto que eu defendi. A minha adversária sempre achava que o público é mais importante do que qualquer outra coisa”, supõe o MDBista. “Foram dois projetos completamente diferentes. Então foi isso, a população fez uma escolha por um projeto que vai ter liberdade econômica, mas também vai proteção social. Não há proteção social se tu não tem dinheiro em caixa. Se não tem dinheiro em caixa, como é que você tem mais creches para as crianças? Como é que tu tem acolhimento dos moradores de rua? Como é que tapa os buracos da rua? Esse discurso de proteção social sem desenvolvimento econômico é conversa mole para boi dormir.” Sebastião Melo relembrou sua trajetória política que culminou na sua eleição no domingo, 29. Em 2016, enquanto vice-prefeito, Melo disputou o segundo turno com Marchezan. “Não existe nada mais forte do mundo do que uma ideia que amadurece. Em 2016, as pessoas queriam mudança e eu era o candidato do governo. Mas o prefeito [Marchezan] acabou fazendo umas afirmações na eleição que não se traduziam na vida real”, deduz sobre o desempenho pífio do atual prefeito de Porto Alegre nas eleições municipais deste ano. (Jovem Pan)