Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Doria afirma que ‘problema diplomático’ atrasa entrega de insumos da CoronaVac ao Brasil

Governador de São Paulo também disse que, caso seja chamado para depor na CPI da Covid-19, situação de Jair Bolsonaro ‘vai piorar ainda mais’

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O governador do Estado de São Paulo, João Doria, afirmou que os insumos da vacina CoronaVac estão presos na China, prontos para embarcar, apenas por questões políticas. Segundo o tucano, as falas do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes, insinuando que o país criou o coronavírus e o disseminou pelo mundo não foram bem recebidas em Pequim. Para Doria, esses embaraços devem ser resolvidos pelo ministro das Relações Exteriores, Carlos França, e o embaixador do Brasil na China, Paulo Mesquita.

“Temos 10 mil litros de insumos da vacina do Butantan armazenados e refrigerados no depósito da Sinovac apenas esperando autorização do governo chinês para o embarque. São 18 milhões de doses da CoronaVac, tão necessária neste momento.”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, Doria anunciou que nesta sexta-feira, 14, serão entregues mais 1,1 milhões do doses da vacina do Butantan. “Depois disso, não temos mais insumos para produção. O governo da China interrompeu [a entrega], aparentemente é um problema de ordem diplomática”, avaliou. O governador de São Paulo avaliou que não estranha essa atitude da China, já que ela é a maior fornecedora de vacinas e insumos contra o coronavírus no mundo. “As agressões feitam foram muito danosas. Ver um presidente da República dizendo que a China criou o vírus e disseminou a Covid-19 pelo mundo e o ministro da Economia falar a mesma coisa. Isso provocou uma reação muito negativa. Temos que, neste momento, apostar na boa conduta do Itamaraty.”

Para ele, o ministro Carlos França adotou o tom conciliatório e tem sido equilibrado — bem distante da postura de seu antecessor, Ernesto Araújo, que tinha um “tom ideológico”. Doria avaliou França como um homem de carreira e com larga experiência no Itamaraty, mas afirmou que até agora esse diálogo não teve resultado. “Ainda não tivemos confirmação do embarque. Eu mesmo falei com o embaixador da China no Brasil, Wanming Yang, ele tem sido extremamente correto, pedi apoio para que o governo da China pudesse destravar o mais rápido possível o embarque desses insumos.” Sobre um possível depoimento na CPI da Covid-19, João Doria afirmou que quem não deve, não teme.

“Se for convocado, lá estarei. Não há nenhum problema em atender a convocação de parlamentares e senadores da CPI. Mas minha ida, se convocado for, não vai amenizar a situação do governo. Vai piorar. Testemunharei que o governo foi negacionista em relação a vacina”, afirmou. O governador lembrou que São Paulo insistiu por três meses que o governo federal comprasse a CoronaVac e que as negativas foram sucessivas. “Iniciamos o entendimento ainda em julho, com os então ministros Eduardo Pazuello e Ernesto Araújo. No dia 20 de outubro, Pazuello fez uma reunião com líderes do governo e 24 governadores para anunciar a aquisição de 46 milhões de doses depois de três meses e sete dias. No dia seguinte, dia 21 de outubro, o presidente da República disparou um tweet dizendo que não compraria vacina e que Pazuello não tinha autorização para fazer aquisição do que ele chamou de ‘vachina’. Se me convidarem para a CPI, a situação de Bolsonaro vai piorar ainda mais.”

Sobre o cenário para 2022, João Doria evitou comentar as eleições presidenciais e disse que é cedo para analisar e fazer maiores conclusões. Ele deu, como exemplo, que em 2016 era visto como um candidato de 1% das intenções dos votos para o governo da cidade de São Paulo e acabou levando o pleito daquele ano em primeiro turno contra o petista Fernando Haddad com 53%. Para ele, a filiação de Rodrigo Garcia no PSDB, que acontece hoje, deve ser celebrada — mas Doria não se estendeu sobre ele ser seu possível sucessor caso decida concorrer à Presidência da República. (Jovem Pan)