No dia 8 de janeiro de 2023, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília — o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Palácio do Planalto — em um dos mais graves ataques à democracia brasileira desde a redemocratização. Naquele dia e na manhã seguinte, 2.151 pessoas foram presas em flagrante durante os atos antidemocráticos, em uma operação que a Polícia Federal classificou como a maior de sua história, envolvendo 550 agentes e cerca de 57 horas de trabalho para identificar e deter os participantes.
Desde então, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Ministério Público Federal têm conduzido um extenso processo judicial para responsabilizar os envolvidos. Até agosto de 2025, o STF havia responsabilizado 1.190 pessoas pelos ataques, com 638 condenações já proferidas — das quais 279 por crimes graves como tentativa de golpe de Estado, associação criminosa e dano qualificado — e 552 réus que firmaram acordos com o MPF por crimes de menor potencial. Apenas 10 pessoas foram consideradas inocentes.
Quanto à situação atual dos presos, o ministro Alexandre de Moraes encerrou a análise dos pedidos de liberdade provisória, determinando que 294 envolvidos continuem presos (86 mulheres e 208 homens), enquanto 129 denunciados receberam liberdade provisória com medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e restrições de deslocamento.
A ampla maioria dos detidos inicialmente teve audiências de custódia e muitos foram liberados com condições restritivas, enquanto os julgamentos e demais procedimentos judiciais continuam em andamento em diferentes instâncias.



