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Indignados com o atraso no pagamento do salário de novembro, horas-extras, vale-alimentação, décimo-terceiro e outras pendências, cerca de 400 trabalhadores da empresa de transporte público Sogal, em Canoas (Região Metropolitana de Porto Alegre), cruzaram os braços nesta segunda-feira (21) em estado-de-greve por 72 horas.

Em entrevista à imprensa, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Canoas (Sitrocan), Marcelo Nunes, relatou que o movimento foi decido no fim de semana, por meio de uma assembleia-geral. “Algumas dívidas estão atrasadas desde fevereiro”, acrescentou.

Ainda segundo o representante da entidade, por uma questão de consideração com os trabalhadores a categoria optou por manter os coletivos em atividade até o começo da manhã desta segunda-feira, antes de estacioná-los nas garagens da Sogal. Pelo mesmo motivo, parte da frota foi recolocada em movimento no final da tarde, para atender aos passageiros que precisavam se deslocar até em casa.

Caso o impasse não seja resolvido, a população corre o risco de chegar ao Natal sem ônibus municipais, já que o não atendimento da Sogal à pauta de reivindicações deve motivar os rodoviários a interromperem os serviços de forma integral, sem concessões ou “operações-tartaruga”. A categoria aposta em uma solução intermediada pelo MPT (Ministério Público do Trabalho).

Jogo-de-empurra

A direção da Sogal (Sociedade de Ônibus Gaúcha), localizada no bairro Igara, argumenta que os atrasos em relação aos seus empregados são motivados pela crise econômica decorrente da pandemia de coronavírus. Por meio de um comunicado interno aos funcionários, a empresa questiona a representatividade da assembleia-geral que decidiu pela greve, já que considera o quórum reduzido.

No mesmo manifesto, afixado em um mural em sua sede, a empresa garante que pretendia quitar as pendências em seis parcelas a partir deste mês e que a paralisação torna a situação ainda mais difícil. Também atribuiu à prefeitura de Canoas a culpa pela situação, já que se mantém inadimplente em relação a uma alegada dívida com a Sogal. (Marcello Campos | O Sul)