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Um almoço em família na última quinta-feira (18) acabou mal para duas irmãs do Recife (PE). Poucas horas depois de consumir um peixe da espécie arabaiana, também conhecido como “olho de boi”, Flávia e Pryscila Andrade foram diagnosticadas com a Síndrome de Haff, doença rara e pouco conhecida caracterizada, principalmente, por escurecer a urina dos pacientes, tornando-a da cor de café.

A hipótese mais aceita é de que a enfermidade seja causada por alguma toxina biológica termoestável (ou seja, que não é destruída pelo processo normal de cozedura) presente em peixes de água doce e crustáceos. A substância não altera o sabor ou a cor do alimento, o que facilita a contaminação. Alguns frutos do mar que foram consumidos por pacientes diagnosticados com a síndrome incluem espécies como o tambaqui, pacu-manteiga, pirapitinga e lagostim.

O problema ocorre de forma repentina e causa ruptura das células musculares. A síndrome pode evoluir rapidamente: os primeiros sintomas surgem entre duas a 24 horas após o consumo de peixe ou crustáceos bem cozidos, mas contaminados. Além da urina preta, entre os principais sinais da doença, estão a dor e rigidez muscular, dormência, perda de força e falta de ar.

É importante que a doença seja identificada e tratada rapidamente, pois pode trazer complicações graves para o paciente, como insuficiência renal, falência múltipla de órgãos e óbito. Outra possível consequência do problema é a síndrome compartimental, que acontece quando existe um aumento da pressão arterial numa parte específica do corpo, o que pode colocar em risco os músculos e nervos dessa região.

No caso das irmãs de Recife, os primeiros sintomas começaram a surgir cerca de quatro horas depois do almoço, quando Pryscila apresentou enrijecimento muscular, câimbras em todo o corpo e dificuldade de locomoção. Três outras pessoas que também estavam presentes na ocasião tiveram dores abdominais, diarreia e dor nas costas.

Na presença de qualquer um dos sintomas, especialmente o escurecimento da urina, é importante que a pessoa consulte um clínico geral para que seja feita a avaliação dos sinais e a realização de exames para confirmar o diagnóstico.

Normalmente, o diagnóstico da síndrome é feito a partir da dosagem da enzima TGO (que reflete o status de funcionamento do fígado) e a da creatinofosfoquinase (CPK), uma enzima que atua nos músculos e que tem seus níveis aumentados quando há alguma alteração no tecido muscular. Em pacientes com a Síndrome de Haff, os níveis de CPK apresentam-se muito mais elevados que o normal.

O tratamento inclui hidratação intensa, especialmente no período de 48 a 72 horas seguintes ao aparecimento dos sintomas. Dessa forma, é possível diminuir a concentração da toxina no sangue e favorecer a sua eliminação por meio da urina. Também pode ser recomendado o uso de analgésicos para aliviar a dor e o desconforto, além de medicamentos diuréticos para favorecer a produção de urina e promover a limpeza do organismo.

Na segunda-feira (22/2), a Secretaria Estadual de Saúde (SES) de Pernambuco informou que foi notificada pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) do Recife a respeito de outros cinco prováveis casos da doença.

Em nota ao G1, a SES informou que conduz uma investigação epidemiológica dos indivíduos que consumiram os alimentos e a “coleta do referido insumo para encaminhamento ao Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco (Lacen-PE) para que sejam providenciadas as análises laboratoriais”. Os casos estão sendo investigados pela Vigilância Epidemiológica do município.

Metrópoles