Estudos recentes em neurociência indicam que o tamanho da cabeça pode estar associado ao risco de desenvolver demência na velhice. Pesquisadores ressaltam, no entanto, que essa relação não aponta uma causa direta da doença, mas ajuda a compreender por que algumas pessoas manifestam os sintomas mais cedo ou de forma mais intensa do que outras, considerando fatores biológicos, educacionais e genéticos ligados ao envelhecimento cerebral.
Uma das pesquisas mais conhecidas sobre o tema foi conduzida por cientistas do Texas, a partir dos dados do chamado Estudo das Freiras. A investigação acompanha, há cerca de 30 anos, a saúde de quase 700 freiras idosas nos Estados Unidos, que vivem em condições muito semelhantes, como alimentação equilibrada, acompanhamento médico regular, forte vida comunitária e baixa exposição a álcool, tabaco ou drogas.
Mesmo com esse padrão de vida, aproximadamente 17% das participantes desenvolveram algum tipo de demência ao longo do período analisado. Ao aprofundar os dados, os pesquisadores identificaram que freiras com menor nível de escolaridade e circunferência craniana reduzida apresentavam até quatro vezes mais chances de desenvolver a doença, em comparação com aquelas que tinham maior escolaridade e perímetro cefálico mais amplo.
Especialistas explicam que cérebros menores tendem a ter menos “reserva cognitiva”, ou seja, menor quantidade de células e conexões neurais para compensar os danos provocados pelo envelhecimento ou por doenças como o Alzheimer. A escolaridade, por sua vez, atua como um fator de proteção adicional, já que níveis mais baixos de educação formal vêm sendo associados, há décadas, a um risco maior de demência.



