Dormir mal pode trazer impactos que vão além do cansaço diário e afetar diretamente a vida sexual. É o que aponta um estudo conduzido pela Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, que identificou uma forte associação entre insônia e piora da função sexual, especialmente entre as mulheres.
Os resultados foram publicados em dezembro de 2023 no Journal of Psychosomatic Research e mostram que pessoas com dificuldade para dormir ou com sono de baixa qualidade apresentam maior risco de problemas relacionados ao desejo, à excitação e à satisfação sexual. Segundo os pesquisadores, a presença de insônia clínica esteve fortemente ligada à redução da função sexual tanto em homens quanto em mulheres.
Para chegar às conclusões, os cientistas entrevistaram 1.226 pessoas, sendo 618 homens e 648 mulheres, com idade média de 45 anos. Os participantes responderam a questionários sobre qualidade do sono, humor, energia, relacionamento e diferentes aspectos da vida sexual, como desejo, orgasmo, satisfação e presença de dor durante a relação.
Os dados revelam que 53,8% das mulheres com insônia relataram algum tipo de problema sexual, como baixa satisfação ou dificuldade para atingir o orgasmo. Entre aquelas sem queixas de sono, o índice foi de 31,8%. Já entre os homens, 23% dos que sofriam com insônia apresentaram dificuldades na vida sexual, contra 12% dos que dormiam bem. De acordo com os pesquisadores, as mulheres tiveram aproximadamente o dobro da taxa de disfunção sexual associada à insônia em comparação aos homens.
O estudo também aponta que a privação de sono está relacionada a fatores como estresse, ansiedade, consumo de álcool e cafeína, além de alterações na saúde mental. Por outro lado, os autores observaram que a atividade sexual recente esteve associada a melhor qualidade do sono, menor ansiedade e níveis mais baixos de estresse pós-traumático, reforçando a importância do sono saudável para o bem-estar físico e emocional.



