Com a volta às aulas, muitas famílias enfrentam um cenário comum: bebês e crianças pequenas chorando nos primeiros dias de escola. A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) destaca que essa reação é considerada típica do desenvolvimento infantil, especialmente entre os 6 meses e os 3 anos de idade.
Segundo o presidente da entidade, Marcelo Pavese Porto, o comportamento está relacionado à chamada ansiedade de separação. “Entre 6 meses e 3 anos, a ansiedade de separação é um marco do desenvolvimento típico. A criança já consolidou o apego aos cuidadores, mas ainda não tem maturidade cognitiva para entender que a separação é temporária. O choro, nesse contexto, é uma expressão de vínculo e não, necessariamente, um sinal de problema”, explica.
O que acontece com a criança
Do ponto de vista neurobiológico, o sistema de regulação emocional ainda está em formação nessa fase da vida. Isso significa que a criança depende do adulto para ajudar a organizar e regular suas emoções.
No momento da despedida, ocorre a ativação do sistema de alerta, o que se manifesta por meio do choro e da busca pelo cuidador. De acordo com a SPRS, o quadro é considerado dentro da normalidade quando:
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O choro ocorre principalmente no momento da separação;
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Há melhora progressiva ao longo dos dias ou semanas;
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A criança consegue se envolver nas atividades após algum tempo;
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Não há prejuízo persistente no sono, na alimentação ou no comportamento.
Estratégias para facilitar a adaptação
A entidade orienta algumas medidas práticas para tornar o processo mais tranquilo:
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Fazer visitas prévias à escola;
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Manter rotina previsível de sono e alimentação;
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Realizar despedidas breves e seguras, sem sair escondido;
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Permitir o uso de objeto de transição (como um paninho ou brinquedo);
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Validar os sentimentos da criança, demonstrando compreensão.
A coerência entre família e escola também é apontada como fator decisivo para o sucesso da adaptação. “A adaptação é um processo. A criança precisa perceber segurança e confiança nos adultos”, reforça Marcelo Pavese Porto.
Quando é preciso buscar ajuda
Embora o choro seja esperado, alguns sinais merecem atenção, como:
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Choro inconsolável que persiste por semanas sem melhora;
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Alterações significativas no sono e na alimentação;
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Queixas físicas frequentes sem causa orgânica identificada;
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Regressões persistentes no desenvolvimento;
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Medo extremo relacionado à escola.
Nessas situações, a recomendação é procurar avaliação pediátrica e, se necessário, acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.



