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Brasil de Fato

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realizou mais uma entrega de botijões de gás de cozinha (B13) para as famílias organizadas nos grupos do Movimento no bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. A ação ocorreu nesta quarta-feira (9), quando 56 famílias foram beneficiadas, contribuindo com parte do valor do botijão.

A entrega faz parte das ações de solidariedade que o MAB vem desenvolvendo desde o início da pandemia, em todo o Brasil. Na Lomba do Pinheiro, periferia da Zona Leste da Capital, a primeira entrega foi realizada em agosto. Desta vez, a ação de solidariedade contou com a contribuição do CPERS, o sindicato dos professores do estado do Rio Grande do Sul, cujos representantes estiveram no local de distribuição conversando com as famílias.

Para o diretor do CPERS-Sindicato, Mauro João Calhari, “a ação promovida pelo MAB foi também uma maneira de levar informação até o povo, sobre o que poderíamos ter em nossas mãos e não temos por conta da entrega das nossas riquezas, do petróleo, dos minérios e, também, por mostrar que a luta pelos nossos direitos depende de nós, da nossa organização.”

Para Selene Michielin, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e da Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia (POCAE), a iniciativa foi importante por mostrar para a sociedade o que o governo está fazendo com nossas estatais e nossas riquezas. “Nessa ação, mostramos para a comunidade que um botijão de gás poderia ser vendido pela metade do preço que é pago atualmente, como acontecia no governo Lula. O governo federal prioriza o lucro das multinacionais, em detrimento do povo brasileiro, que a cada dia se torna mais empobrecido. Não podemos achar que isso é normal, precisamos reagir e lutar.”

Natália, da comunidade São Pedro, ressaltou a importância da organização dos atingidos para a conquista do gás a preço justo, considerando que se paga um preço abusivo por esse insumo, que é essencial para as famílias.

Ação e organização social

Como parte de sua atuação no mundo urbano, durante o ano de 2020, o MAB se consolidou na capital gaúcha organizando famílias em grupos para o debate da água, da energia e dos direitos dos atingidos e atingidas. Além de momentos de formação, os grupos se reuniram para definirem suas pautas de reivindicação junto aos candidatos à prefeitura e a câmara de vereadores da cidade. O evento para entrega das reivindicações reuniu 14 candidatos a vereador e vereadora e 2 candidatos a vice-prefeito.

A ação de entrega dos botijões de gás de cozinha se associa ao debate que o Movimento faz sobre a energia e sobre o gás a preço justo. Desde a greve dos petroleiros, em fevereiro deste ano, que o MAB e a Plataforma Operária e Camponesa da Água e da Energia vêm discutindo esse tema, quando os petroleiros puxaram este debate e fizeram ações de entrega do gás a preço justo, em torno de R$ 35 reais.

“Pagamos um preço absurdo pelos derivados de petróleo, entre eles o gás de cozinha”, disse Fernando Fernandes, da coordenação estadual do MAB. Ele complementa: “Os petroleiros nos alertaram que se o atual Governo Federal não tivesse jogado a Petrobras para a lógica do mercado internacional do petróleo, teríamos combustíveis a preços muito baixos e teríamos soberania sobre o preço da gasolina e do gás de cozinha, por exemplo. Mas não é o que acontece, e a culpa por pagarmos tão caro é do atual governo federal”, concluiu.

O MAB prevê continuar com as ações de solidariedade no próximo ano, principalmente junto às comunidades carentes de Porto Alegre, onde tem atuação. “Sabemos que a pandemia está longe de acabar e, com a perspectiva de término do auxílio emergencial, estamos na eminência de termos um colapso social, já que o desemprego e a diminuição de renda é grave desde o início do ano. As ações do MAB são um alento para famílias que tanto precisam aqui na Lomba”, disse Karine Schultz Nachtigall, da Coordenação Municipal do MAB.

* Com informações do MAB