Brasil de Fato

O Sindisaúde-RS realizou, na manhã desta quarta (18), em frente à entrada de funcionários da Rua Costa do Hospital Mãe de Deus, um ato com o objetivo de chamar a atenção para as denúncias de assédio moral em todos os setores, que têm chegado na entidade. Na ocasião foi distribuído material produzido pelo sindicato sobre o tema e disponibilizada uma urna para que os trabalhadores depositassem relatos de possíveis casos.

De acordo com o dirigente do SindiSaúde-RS Júlio Duarte, as denúncias dizem respeito a pressão que técnicos vêm sofrendo por parte dos enfermeiros. Segundo ele, em decorrência da pandemia, houve uma baixa no número de funcionários e por conta disso há uma pressão para que os técnicos assumam mais pacientes, contrariando o que diz as regras do Coren-RS.

“Os funcionários começaram a ligar para nós, que não estão conseguindo fazer o trabalho por conta da sobrecarga. E por isso estamos aqui denunciando, fazendo esse movimento, tirando o pessoal da zona de conforto. Eles estão ligando, mas quando viemos aqui eles não se manifestam por medo de represálias, retaliações”, aponta o dirigente, salientando que a entidade precisa de mais material para concretizar a denúncia.

Em média, segundo Júlio, a entidade tem recebido de 50 a 100 denúncias de diversas entidades, e no momento o Hospital Mãe de Deus é um que tem se notabilizado.

De acordo com o representante, o sindicato se reuniu essa semana, de forma virtual, com a gestão do Hospital Mãe de Deus, onde a instituição negou que os assédios vêm acontecendo. E devido a falta de avanço do diálogo, o SindiSaúde tomou a iniciativa do ato “Urna da Denúncia”.

Pela rede social, um funcionário da entidade relatou o que vem acontecendo no local. “Sou funcionário do Hospital Mãe de Deus e gostaria de fazer uma denúncia. Trabalho na noite 2 do hospital na CTI, sou técnico de enfermagem e há tempos viemos sofrendo diversos tipos de assédios/coações dos enfermeiros desta noite. Para ter uma idéia os enfermeiros falam nos corredores do hospital em “encomendamos as coroas de flores já”, fazendo referências a supostas demissões que devem ocorrer. Muitas vezes nos levam para dentro de uma sala com outro enfermeiro e nos deixam coagidos com ameaças verbais. Gostaria de expor o que acontece nos bastidores de um hospital particular. Estamos sofrendo demais com essa situação. Já tentamos falar com a chefia e eles nada fazem e fingem que não está acontecendo nada, pedimos socorro, pois queremos ser valorizados. Mesmo durante a pandemia ainda precisamos passar por situações de assédios.”