Vulcão Cumbre Vieja entra em erupção nas Ilhas Canárias. Saiba os riscos de tsunami aqui no Brasil – Porto Alegre 24 horas
Foto: Divulgação

Vulcão Cumbre Vieja entra em erupção nas Ilhas Canárias. Saiba os riscos de tsunami aqui no Brasil

Logo após a erupção, o governo local pediu aos moradores que “tenham extrema cautela”

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O vulcão Cumbre Vieja, em La Palma, nas Ilhas Canárias, pertencentes à Espanha, entrou em erupção neste domingo (19), depois de mais de uma semana de registro de milhares de atividades sísmicas na região. Uma nuvem de fumaça e cinzas se formou no local.

Logo após a erupção, o governo pediu aos moradores que “tenham extrema cautela” e fiquem longe da área e das estradas. Autoridades retiraram habitantes dos municípios de El Paso, Los Llanos de Aridane, Villa de Mazo e Fuencaliente.

O vulcão teve seu nível de alerta elevado de verde para amarelo pelo Plano Especial de Proteção Civil e Atenção às Emergências de Risco Vulcânico das Ilhas Canárias na semana passada.

Isso aconteceu após o registro de um aumento rápido no número de terremotos e atividades sísmicas nos últimos dias, totalizando cerca de 22 mil tremores.

Tsunami

A Sociedade Brasileira de Geologia publicou uma nota técnica na sexta-feira (17) sobre o risco de um tsunami atingir a costa brasileira em caso de erupção do vulcão. No documento, a instituição afirmou que, apesar de existir um risco e de ele ser estudado desde 1999, a probabilidade de o fenômeno ocorrer é muito baixa.

A divulgação sobre um possível tsunami causou preocupação no Brasil e fez o assunto ser um dos mais comentados nas redes sociais.

Tsunami no Brasil causado por erupção vulcânica é improvável, afirmam geólogos

Nos últimos dias, diversas notícias estão circulando a respeito da possibilidade de tsunamis nas costas brasileiras. O fenômeno seria consequência de uma erupção do vulcão Cumbre Vieja, localizado nas Ilhas Canárias, na costa da África. De fato, o vulcão vem registrando aumentos significativos nos seus movimentos sísmicos desde sábado (11). No entanto, apesar de existir a possibilidade do tsunami, é muito pouco provável que o fenômeno ocorra.

O vulcão Cumbre Vieja, que está adormecido desde 1971, ou seja, sem nenhuma erupção nos últimos 40 anos, teve registrada uma tendência de alta em seus movimentos sísmicos. Além disso, aumentaram o volume e a intensidade dos movimentos, e a profundidade dos epicentros diminuiu. Por isso, aumentou a probabilidade de uma nova erupção.

Os estudos e monitoramento do vulcão Cumbre Vieja vêm sendo feitos de perto pelo Instituto Geológico Nacional da Espanha (IGN). No entanto, para que esse evento viesse a afetar o Brasil, muita coisa teria que acontecer. O geocientista do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), Marcel Leonard Besser, explica a relação:

“Existe uma hipótese de que, caso uma erupção um pouco mais forte viesse acontecer nesse vulcão, poderia haver um rompimento das encostas dessa montanha e essa massa rochosa seria lançada no mar. Isso geraria ondas gigantescas que poderiam atingir então a costa do Norte e Nordeste do Brasil”, afirma.

De acordo com o chefe da Divisão de Sensoriamento Remoto e Geofísica do SGB/CPRM, Luiz Gustavo Rodrigues Pinto, as chances de que ocorra um tsunami no Oceano Atlântico são muito baixas de forma geral, tanto que não existe nenhuma rede de alerta de tsunami nesse oceano. Consequentemente, as chances que um tsunami atinja o Brasil também são muito baixas.

O pesquisador esclarece que essa é uma possibilidade muito remota, mas alerta para a falta de um sistema de alerta para tsunamis no oceano Atlântico. “As medidas que devem ser tomadas são o constante monitoramento da situação do Vulcão por parte das autoridades da defesa civil estatual e municipal dos estados e cidades localizadas na região litorânea, principalmente das regiões norte e nordeste. E, caso venha a ocorrer algo excepcional que provoque um tsunami, que tais autoridades evacuem as regiões mais próximas as praias, evitando assim possíveis vítimas”, afirma Luiz Gustavo.

Essa possibilidade de tsunami vem sendo discutida há mais de 20 anos. Durante esse tempo, diversos trabalhos foram publicados fazendo previsões, prognósticos e até mesmo estudos de eventos do passado para entender as chances e dimensões desse possível fenômeno. Por exemplo, um estudo concluiu que o alagamento de parte do litoral do Nordeste do Brasil em 1755 foi reflexo do grande tsunami que devastou Portugal.

Segundo a modelagem matemática computacional apresentada no trabalho dos geólogos Simon Day e Stevan Ward, as regiões no Brasil que poderiam ser atingidas no caso de um possível tsunami seriam o litoral norte e nordeste do Brasil, entre os estados do Amapá e Pernambuco.

O geofísico do SGB-CPRM aponta ainda quais seriam os possíveis danos para o país, caso um fenômeno como esse viesse a ocorrer. “É muito difícil estimar os danos para o país no caso da ocorrência de um tsunami provocado por uma provável erupção desse vulcão. No pior cenário, caso isso realmente ocorra e atinja o nosso país, pode-se ter danos materiais como as frequentes ressacas marinhas provocam. Mas se a população e as autoridades se mantiverem atentas às informações e alertas emitidos pelas autoridades espanholas que monitoram o vulcão, dificilmente teremos vidas perdidas, pois o tempo para que tal evento comece a atingir o litoral brasileiro é de cerca de 6 a 7 horas após a ocorrência do terremoto. Tempo suficiente para uma evacuação da população que esteja situada mais próxima à orla”, esclarece.

Visando acalmar a população sobre o tema, o Núcleo Bahia-Sergipe da Sociedade Brasileira de Geologia, em conjunto com o Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia e a Universidade Estadual de Feira de Santana, emitiu uma nota informando que a ocorrência do fenômeno é pouco provável. Precisaria ser deslocada uma parcela significativa de massa rochosa, a ponto de gerar um tsunami que atingisse a costa do nordeste brasileiro, algo pouco provável de acontecer nas condições atuais.

Janis Morais
Bettina Gehm
Yuri Murta
Assessoria de Comunicação (ASSCOM)
Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM)
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